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Após décadas de espera, Governo de MS lança licitação para levar água tratada às aldeias de Dourados

Fotos de capa: Saul Schramm/Secom-MS

Redação Plenax – Flavia Andrade

O Governo de Mato Grosso do Sul deu início a uma das obras mais aguardadas pelas comunidades indígenas de Dourados. Foram lançados nesta segunda-feira (18) os primeiros editais de licitação para implantação do sistema de abastecimento de água nas aldeias Jaguapiru e Bororó, consideradas a maior reserva indígena urbana do país.

O projeto prevê investimento total de R$ 50 milhões para garantir água tratada diretamente nas residências de quase 30 mil moradores. A iniciativa é conduzida pela Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul) e integra um conjunto de ações voltadas à segurança hídrica e melhoria da qualidade de vida nas comunidades indígenas.

Primeira etapa prevê perfuração de poços

Os editais publicados no Diário Oficial do Estado contemplam a perfuração de poços e fazem parte da primeira etapa da obra. Cada contrato possui investimento estimado em R$ 4,49 milhões, com recursos do Ministério dos Povos Indígenas, via repasses da Caixa Econômica Federal.

A execução ficará sob responsabilidade da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Seilog), enquanto os projetos técnicos foram elaborados integralmente pela Sanesul.

Além da perfuração, o projeto prevê implantação de redes de distribuição, reservatórios, adutoras e toda a estrutura necessária para garantir fornecimento contínuo de água tratada às famílias indígenas.

As propostas das empresas interessadas serão abertas no próximo dia 3 de junho.

Governo destaca impacto social da obra

O vice-governador José Carlos Barbosa, o Barbosinha, afirmou que a iniciativa representa um avanço histórico para as comunidades indígenas da região.

“Levar água de qualidade às aldeias é reduzir desigualdades, promover cidadania e reafirmar que desenvolvimento só faz sentido quando alcança quem mais precisa”, destacou.

Segundo ele, o projeto também envolve diálogo com o governo federal em áreas como habitação, pavimentação e infraestrutura.

“Nosso objetivo é garantir que a água potável chegue a todas as residências indígenas, com segurança, dignidade e respeito às comunidades”, completou.

Projeto prevê crescimento das aldeias até 2033

A estrutura foi planejada para atender não apenas a demanda atual, mas também o crescimento populacional das aldeias Jaguapiru e Bororó até o ano de 2033.

Para o secretário estadual de Infraestrutura e Logística, Guilherme Alcântara, a obra representa um marco na execução de políticas públicas voltadas aos povos originários.

“Estamos falando de um projeto completo, que vai da perfuração dos poços à distribuição nas casas. Mais do que infraestrutura, é dignidade chegando para milhares de famílias”, afirmou.

O secretário estadual de Cidadania, José Francisco Sarmento Nogueira, reforçou que a medida atende uma reivindicação histórica das comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul.

“Esse investimento promove saúde, dignidade e qualidade de vida para milhares de famílias indígenas. É uma ação de compromisso social e respeito aos direitos fundamentais”, declarou.

Medidas emergenciais seguem até conclusão da obra

Enquanto o projeto definitivo não é concluído, o Governo do Estado mantém ações emergenciais para evitar desabastecimento nas aldeias.

Atualmente, caminhões-pipa abastecem reservatórios e residências conforme a necessidade, em trabalho realizado pela Defesa Civil, Sanesul e agentes indígenas de saneamento. Dois poços emergenciais também já foram perfurados, um em cada aldeia.

O diretor-presidente da Sanesul, Renato Marcílio, destacou que a empresa participa ativamente da elaboração técnica e operacional do projeto.

“Por determinação do governador Eduardo Riedel, a Sanesul colaborou diretamente nos estudos técnicos e nos projetos das obras. Serão investimentos importantes para toda a comunidade indígena e para a região”, afirmou.

Com o avanço das próximas etapas, a expectativa do Governo de Mato Grosso do Sul é que as obras comecem ainda neste semestre, levando abastecimento regular e água tratada às aldeias Jaguapiru e Bororó após décadas de dificuldades no acesso ao serviço.

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