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Anvisa aprova equipamento nacional de ozonioterapia para tratamento de feridas

Foto: Divulgação/Philozon

Redação Plenax – Flavia Andrade

Registro da linha Medplus, desenvolvida pela brasileira Philozon, é o primeiro no país com indicação específica para essa finalidade

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o registro da linha Medplus, desenvolvida pela empresa brasileira Philozon, para o tratamento de feridas crônicas. Segundo a empresa, trata-se do primeiro equipamento de ozonioterapia aprovado oficialmente no Brasil com indicação específica para essa finalidade.

A autorização ocorre em um momento de mudanças no cenário regulatório da ozonioterapia no país. Em 1º de julho de 2026, a Anvisa publicou a Nota Técnica nº 41/2026, que detalha indicações reconhecidas para dispositivos emissores de ozônio e inclui o uso como terapia adjuvante no tratamento de feridas ulceradas em pé diabético e feridas infecciosas agudas em pacientes maiores de 18 anos.

A medida se soma à regulamentação do Conselho Federal de Medicina (CFM), que, por meio da Resolução CFM nº 2.445/2025, autorizou o uso médico da ozonioterapia como procedimento adjuvante para determinadas feridas.

Tecnologia desenvolvida no Brasil

O registro da linha Medplus é resultado do trabalho da Philozon, empresa brasileira fundada em 2004 e especializada no desenvolvimento e fabricação de geradores de ozônio para aplicações em saúde.

A companhia possui certificação ISO 13485, relacionada ao sistema de gestão da qualidade para dispositivos médicos.

“É um passo que consolida uma trajetória de investimento em tecnologia nacional. Mais do que colocar um equipamento no mercado, nosso objetivo foi desenvolver uma solução que atendesse aos critérios regulatórios e de qualidade exigidos para um dispositivo médico”, afirma Rafael Nührich, CEO da Philozon.

Segundo o executivo, a aprovação amplia as possibilidades de utilização da tecnologia dentro dos parâmetros estabelecidos pela Anvisa.

Feridas crônicas representam desafio para a saúde

Feridas crônicas podem estar associadas a diferentes condições, como diabetes, doenças vasculares e processos infecciosos. Em muitos casos, exigem acompanhamento contínuo e atuação de diferentes profissionais de saúde.

As lesões podem apresentar dificuldades de cicatrização, aumentar o risco de complicações e comprometer a qualidade de vida dos pacientes. O impacto também alcança os sistemas de saúde, devido à necessidade de acompanhamento prolongado e à prevenção de complicações mais graves, incluindo amputações.

Segundo o International Working Group on the Diabetic Foot (IWGDF), uma pessoa perde um membro inferior a cada 20 segundos no mundo em decorrência de complicações relacionadas ao diabetes.

Nesse contexto, a ozonioterapia é utilizada como terapia complementar, associada aos tratamentos convencionais. O ozônio medicinal apresenta propriedades antimicrobianas e é estudado por possíveis efeitos relacionados à regeneração dos tecidos, circulação e resposta antioxidante.

“A ozonioterapia não substitui o tratamento convencional. Quando indicada, ela pode atuar como um recurso complementar dentro de um plano terapêutico individualizado”, explica a Dra. Letícia Philippi, farmacêutica, especialista em ozonioterapia e fundadora e diretora da Associação Brasileira de Ozonioterapia (ABOZ).

Segundo ela, a avaliação do paciente, a indicação adequada, a concentração utilizada e a aplicação por profissional habilitado são fatores importantes para a segurança do tratamento.

Uso é regulamentado em diferentes áreas

A ozonioterapia também possui regulamentações específicas em outras áreas da saúde.

Na Odontologia, o Conselho Federal de Odontologia regulamentou a utilização do ozônio medicinal por cirurgiões-dentistas por meio da Resolução CFO-166/2015.

Na Enfermagem, o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) reconheceu a ozonioterapia como terapia complementar que pode ser utilizada por enfermeiros capacitados, conforme o Parecer Normativo nº 001/2020.

A prática também possui regulamentações específicas para profissionais de Farmácia, Biomedicina e Fisioterapia, respeitando as atribuições e os limites estabelecidos pelos respectivos conselhos profissionais. Na Medicina Veterinária, o Conselho Federal de Medicina Veterinária regulamentou a utilização da ozonioterapia por médicos-veterinários em 2020.

Para Letícia Philippi, as diferentes regulamentações não significam que qualquer profissional esteja autorizado a realizar todos os tipos de aplicação.

“Cada conselho estabelece as competências e os limites de atuação de sua categoria. Por isso, o paciente deve procurar um profissional habilitado e verificar se o equipamento utilizado está devidamente regularizado”, orienta.

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