Redação Plenax – Flavia Andrade
Além de reduzir riscos à saúde dos animais, manejo adequado da água favorece consumo, desenvolvimento e desempenho produtivo nas fazendas
A qualidade da água fornecida ao rebanho pode influenciar diretamente a produtividade e os resultados econômicos da pecuária. Assim como uma alimentação balanceada, a oferta de água em quantidade e condições adequadas é essencial para a saúde, o ganho de peso e o desempenho dos animais, tanto em sistemas a pasto quanto em confinamento.
A água representa entre 50% e 70% do peso corporal dos bovinos e participa de processos fundamentais, como a digestão e a absorção de nutrientes. Segundo o zootecnista e diretor técnico industrial da Connan, Bruno Marson, a perda de água pelo organismo pode representar um risco maior ao animal do que a redução de gordura ou tecido muscular.
“Água limpa atrai os animais. Já a água suja, com lodo ou fezes, reduz a ingestão diária de água, o que também pode diminuir o consumo de alimentos e comprometer o desempenho do rebanho. O fornecimento de água limpa pode aumentar significativamente o ganho diário de peso, somando dezenas de quilos extras por boi ao fim de um ciclo”, explica.
Água contaminada aumenta risco de doenças
Além de comprometer o consumo e o desempenho, a água contaminada pode contribuir para a transmissão de doenças, entre elas verminoses, leptospirose e botulismo.
Por isso, a infraestrutura de fornecimento deve permitir que os animais tenham acesso constante à água, com bebedouros limpos e vazão adequada. O manejo correto também pode ajudar a reduzir a ocorrência de doenças, os gastos com medicamentos e a mortalidade, além de favorecer o desenvolvimento do rebanho.
Para Marson, o tratamento da água pode ser realizado com medidas de baixo custo, concentradas em três frentes: isolamento das fontes naturais, desinfecção química e manejo físico dos reservatórios.
Uma das recomendações é evitar o acesso direto dos animais a açudes, rios e barreiros. A presença do gado nesses locais favorece a contaminação por fezes e urina e também pode revolver o lodo acumulado no fundo.
A orientação é cercar açudes e córregos para proteger as margens e utilizar bombas para conduzir a água da superfície dos reservatórios até caixas d’água centrais. A partir delas, a água pode ser distribuída por gravidade para os bebedouros instalados nos pastos.
Limpeza dos bebedouros é essencial
O cloro pode ser utilizado como alternativa de baixo custo para auxiliar na desinfecção da água e no controle de bactérias, vírus e protozoários. O produto, porém, não substitui a limpeza física dos reservatórios.
“Mas nenhum produto químico substitui a limpeza mecânica”, alerta Marson.
Segundo o especialista, o ideal é que os bebedouros sejam higienizados pelo menos uma vez por semana. Quando isso não for possível, a recomendação é incluí-los na rotina de acompanhamento da propriedade e antecipar a limpeza sempre que houver acúmulo de lodo, algas, fezes ou outros resíduos.
Em períodos de seca, também é possível adotar estratégias para reduzir o desperdício durante a limpeza dos reservatórios. Uma alternativa é utilizar decantadores ou retirar apenas de 10% a 20% da água, justamente a parcela onde tende a se concentrar o sedimento, utilizando motobombas portáteis ou sifões.
Distribuição dos bebedouros influencia o consumo
A localização dos pontos de fornecimento também deve fazer parte do planejamento da propriedade. Quando os animais precisam percorrer longas distâncias para encontrar água, o deslocamento pode interferir no consumo e no desempenho do rebanho.
Por isso, Marson recomenda distribuir os bebedouros de forma estratégica, considerando o sistema de produção e as características de cada propriedade.
“Tão importante quanto a genética, a nutrição e o manejo de pastagem, a água tem influência direta sobre os resultados da propriedade. Cuidar da qualidade e da disponibilidade desse insumo é cuidar diretamente do bem-estar do rebanho, do desenvolvimento dos animais e da rentabilidade da fazenda”, resume o especialista.

