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Doença do Refluxo: especialista explica novos avanços no tratamento e diagnóstico

Foto: Divulgação

Da Redação

Campo Grande (MS) – A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE), uma condição que afeta milhões de brasileiros e compromete diretamente a qualidade de vida, tem sido alvo de importantes avanços científicos. O médico cirurgião do aparelho digestivo e especialista em cirurgia bariátrica, Dr. Wilson Cantero, traz à tona as descobertas mais recentes sobre diagnóstico, causas e abordagens terapêuticas da doença que vai muito além da azia e do desconforto estomacal.

Segundo ele, a DRGE é provocada pelo retorno anormal do conteúdo do estômago para o esôfago, o que pode causar, além da conhecida queimação, sintomas como tosse crônica, sinusite, dor de ouvido e até dor na arcada dentária. “O refluxo deixou de ser um simples incômodo gástrico para se tornar um problema de saúde pública, com impactos respiratórios, metabólicos e emocionais importantes”, destaca Dr. Cantero.

Segundo ele, estudos recentes relacionam o refluxo não apenas a maus hábitos alimentares e à obesidade, mas também a fatores genéticos. Alterações no gene GPR35, por exemplo, foram ligadas à maior suscetibilidade ao refluxo ácido, segundo publicação no Journal of Gastroenterology.

Outro fator importante são os avanços no diagnóstico. Exames como a impedância-pHmetria esofágica já permitem identificar não só o refluxo ácido, como também os episódios não ácidos, sendo fundamentais nos casos mais complexos. “A tecnologia tem ajudado muito. Hoje temos exames precisos e menos invasivos, como a impedância-pHmetria e a manometria, que nos dão uma visão completa do que está acontecendo no esôfago do paciente”, explica.

Além dos tratamentos convencionais com medicamentos, o especialista reforça a importância de mudanças no estilo de vida, perda de peso, refeições menores, evitar alimentos gordurosos e reduzir o consumo de bebidas com cafeína, como café, chimarrão e tereré, ainda são pilares fundamentais.

Quando a cirurgia entra em cena
Para casos mais graves ou que não respondem bem à medicação, intervenções minimamente invasivas têm ganhado força. A fundoplicatura laparoscópica, considerada o padrão-ouro, e o moderno sistema LINX — um anel magnético que reforça o esfíncter esofágico — têm trazido resultados promissores. “Essas técnicas devolvem qualidade de vida ao paciente que convive há anos com os sintomas sem melhora significativa”, afirma Dr. Cantero.

Outro avanço é o uso de probióticos, como o Lactobacillus reuteri, e terapias biológicas que agem sobre inflamações causadas pelo refluxo. “Estamos acompanhando uma transformação no tratamento da DRGE, que caminha para a personalização do cuidado com base em marcadores biológicos e até inteligência artificial, que já está sendo usada para prever riscos e ajustar tratamentos individualizados”, acrescenta o médico.

O alerta de Dr. Wilson Cantero é claro: não negligencie os sintomas de refluxo. “Tratar cedo evita complicações sérias, como esofagite, úlceras e até predisposição ao câncer de esôfago. A boa notícia é que temos, hoje, muito mais ferramentas e conhecimento para tratar de forma eficaz e definitiva”, conclui.

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