Por Flavia Andrade
Durante entrevista ao programa Bronca do Eli, nesta quarta-feira (16), o deputado estadual Zeca do PT fez duras críticas ao superintendente do Sebrae em Mato Grosso do Sul, Claudio Mendonça, e anunciou que protocolou denúncia formal contra ele junto ao presidente nacional da instituição. Segundo o parlamentar, a acusação envolve apologia política partidária e uso indevido de recursos públicos do Sistema S, além de outras suspeitas que, segundo ele, estão sendo apuradas.
“Encaminhei a denúncia ao presidente nacional do Sebrae e também ao gabinete do presidente Lula. A resposta foi rápida: o presidente do Sebrae ligou para o deputado Vander Loubet e o próprio gabinete do presidente Lula solicitou a investigação. Já há um processo de apuração aberto”, declarou Zeca.

Zeca também denunciou o uso político das ações do Sebrae, citando como exemplo o convite à senadora Tereza Cristina, representante da extrema-direita, para palestrar em evento do órgão. “É uma vergonha. O Sistema S está aparelhado pela extrema-direita. Milhões em recursos públicos sem benefício algum direto para a população mais carente do Estado”, criticou. O parlamentar também apontou um suposto esquema de pagamento para a obtenção do prêmio Prefeito Empreendedor. “Recebi denúncia de que prefeitos precisam pagar R$ 500 mil para receber o prêmio. Encaminhei isso também à direção nacional e me foi dito que outras denúncias semelhantes já foram recebidas. Vou até o fim com isso”, afirmou.
Além das denúncias, o deputado reforçou seu compromisso com a agricultura familiar, setor que, segundo ele, é estratégico para a soberania alimentar do país. “O agronegócio exporta, sim, e isso é importante para a economia, mas quem põe comida na nossa mesa é a agricultura familiar. É preciso estruturar esse setor com recursos, assistência técnica, acesso à água, energia e moradia digna. E claro, políticas de comercialização para que possam vender sua produção”, pontuou.

Zeca destacou ainda avanços conquistados por seu mandato, como a aprovação da política estadual do Selo da Agricultura Familiar, sancionada pelo governador Eduardo Riedel após dois anos e meio de articulações. “Essa conquista permite que pequenos produtores que seguem as normas possam agregar valor aos seus produtos e acessar novos mercados”, explicou.
O deputado também anunciou recursos importantes conquistados em parceria com parlamentares federais. Com Vander Loubet, garantiu R$ 1 milhão para implantar uma agroindústria modelo no assentamento Eldorado, em Sidrolândia, que servirá de referência para todo o país. Já com a deputada Camila Jara, outros R$ 1 milhão foram assegurados para perfuração de poços artesianos com sistema de energia solar e dessalinização em Corumbá.

Zeca ainda ressaltou sua atuação em prol da população indígena do estado, destacando a importância de políticas públicas que assegurem infraestrutura, acesso à saúde e estímulo à produção. “Temos a terceira maior população indígena do Brasil. É fundamental garantir a autonomia e o desenvolvimento das comunidades com dignidade”, afirmou.
Na entrevista, o parlamentar comentou também a conjuntura política em Mato Grosso do Sul e os preparativos do PT para as eleições de 2026. “Estamos discutindo alianças, e o primeiro passo será uma reunião com o governador Riedel. O PT teve papel fundamental na vitória dele em 2022 e hoje participa do governo com a Agraer e a Secretaria da Agricultura Familiar”, lembrou.

Questionado sobre a possibilidade de composições para as próximas eleições, Zeca não descartou nomes como Simone Tebet, que, segundo ele, pode migrar para o PT, e Fábio Trad, visto como liderança forte. “O foco principal será garantir um palanque sólido para o presidente Lula em Mato Grosso do Sul, seja com Riedel ou não. Precisamos de uma bancada federal forte — hoje temos três deputados e queremos chegar a cinco.”
Por fim, o deputado revelou que também acionou o Ministério Público e a Polícia Federal para investigar o aumento de 27% no preço dos combustíveis no estado, enquanto em nível nacional a redução promovida pelo governo Lula foi de 17%. “Tem algo errado e eu vou até o fim para descobrir o que está acontecendo”, concluiu.