Redação Plenax – Flavia Andrade
Exame molecular já contabiliza 153 mil amostras coletadas no país e permite ampliar o intervalo entre rastreamentos para cinco anos após resultado negativo
O Sistema Único de Saúde (SUS) já disponibiliza o teste molecular DNA-HPV em 26 unidades da Federação para o rastreamento e a detecção precoce do câncer do colo do útero. A tecnologia identifica a presença do papilomavírus humano (HPV), incluindo os tipos associados a maior risco de desenvolvimento da doença, antes mesmo do surgimento de lesões.
A implementação ocorre de forma gradual em todo o país. Segundo dados do Ministério da Saúde, a estratégia contabiliza 153 mil amostras coletadas em 2025 e 2026. Desse total, 93 mil foram processadas em 2026, das quais 9.904 apresentaram resultado positivo para HPV de alto risco.
Uma das vantagens do exame molecular é que, após um resultado negativo, o intervalo recomendado até o próximo rastreamento pode chegar a cinco anos. O teste também reduz a ocorrência de amostras insatisfatórias e permite agilizar a liberação dos resultados, contribuindo para o acompanhamento das pacientes e o encaminhamento oportuno para investigação e tratamento, quando necessário.
Teste DNA-HPV amplia estratégias de prevenção pelo SUS
A coleta é realizada por profissionais de saúde nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Em situações previstas pelo protocolo, também pode ser feita por autocoleta, após orientação de um profissional, ampliando as possibilidades de acesso ao rastreamento.
De acordo com o Ministério da Saúde, todas as unidades da Federação, com exceção do Espírito Santo, já receberam os materiais necessários e iniciaram a realização dos exames em pelo menos um município. No estado capixaba, o início da estratégia depende da conclusão das etapas de organização local, com previsão de envio dos materiais ainda em 2026.
Os kits utilizados na coleta são produzidos pelo Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP), vinculado à Fiocruz. O Ministério da Saúde também avalia outras tecnologias que atendam aos padrões de qualidade exigidos pelo SUS.
Papanicolau continua disponível durante a implementação
Enquanto o novo teste é incorporado à rede pública, o exame preventivo Papanicolau permanece disponível e continua sendo uma ferramenta eficaz de prevenção.
A implantação do DNA-HPV também envolve a capacitação de profissionais e a reorganização dos fluxos de atendimento. Treinamentos presenciais e on-line já foram realizados nas 27 unidades da Federação, em parceria com estados e municípios.
A preparação busca orientar gestores e equipes de saúde sobre o protocolo de rastreamento e as recomendações do Instituto Nacional de Câncer (INCA), além de assegurar que as pacientes recebam acompanhamento adequado nas diferentes etapas do cuidado.
O programa Agora Tem Especialistas também integra as ações de apoio à rede pública, contribuindo para ampliar a oferta de consultas, exames e procedimentos especializados necessários à investigação e ao acompanhamento das pacientes.
Vacinação contra HPV supera média mundial no Brasil
Além do rastreamento, a vacinação é uma das principais estratégias para prevenir infecções pelos tipos de HPV associados ao câncer do colo do útero.
Em 2025, a cobertura vacinal brasileira entre meninas de 9 a 14 anos chegou a 87%, enquanto entre os meninos da mesma faixa etária alcançou 74%, segundo os dados divulgados pelo Ministério da Saúde. Os índices superaram a média mundial de vacinação contra o HPV.
A combinação entre vacinação, rastreamento e acompanhamento adequado é fundamental para reduzir o risco de desenvolvimento da doença e ampliar as possibilidades de diagnóstico precoce.
Brasil pode registrar 19,3 mil novos casos por ano
Estimativas do Instituto Nacional de Câncer apontam que o Brasil poderá registrar aproximadamente 19,3 mil novos casos de câncer do colo do útero por ano no triênio de 2026 a 2028.
A doença pode não apresentar sintomas nas fases iniciais, o que reforça a importância de realizar os exames de rastreamento conforme as orientações dos serviços de saúde.
Entre os sinais que merecem avaliação profissional estão:
Sangramento durante ou após a relação sexual;
Sangramento entre as menstruações;
Sangramento após a menopausa;
Dor durante a relação sexual;
Corrimento vaginal com sangue ou mau cheiro.
Em estágios mais avançados, também podem surgir dor na região pélvica ou na parte inferior das costas, cansaço intenso, problemas renais e inchaço ou dor nas pernas.
A presença desses sintomas não significa necessariamente câncer, mas exige avaliação por um profissional de saúde. O rastreamento, por sua vez, é importante mesmo quando não há sinais da doença.
A ampliação do teste DNA-HPV no SUS busca fortalecer a prevenção e identificar precocemente as infecções que exigem acompanhamento, contribuindo para o diagnóstico oportuno e o cuidado das mulheres em todo o país.

