Redação Plenax – Flavia Andrade
Pesquisa com 582 moradores da zona leste da capital paulista identificou prevalência de 24,4% de sintomas graves e/ou diagnóstico clínico da doença
Ardência, sensação de areia nos olhos, vermelhidão, lacrimejamento e visão que oscila ao longo do dia podem ser confundidos com cansaço, excesso de telas ou exposição ao ar-condicionado. Quando persistentes, porém, esses sinais podem indicar uma condição que afeta diretamente a superfície ocular: a doença do olho seco.
No Dia Mundial da Visão, celebrado em 8 de outubro, o alerta ganha relevância diante dos dados de um estudo publicado nos Arquivos Brasileiros de Oftalmologia. A pesquisa avaliou 582 adultos residentes na zona leste de São Paulo e identificou prevalência de 24,4% de sintomas graves e/ou diagnóstico clínico de doença do olho seco — aproximadamente um em cada quatro participantes.
Entre as mulheres avaliadas, a prevalência foi de 26,86%, enquanto entre os homens chegou a 18,18%. O estudo também encontrou associação da doença com a faixa etária de 55 a 75 anos entre as mulheres.
Mais do que falta de lágrimas
O olho seco não está relacionado apenas à quantidade de lágrimas produzidas. Trata-se de uma doença multifatorial que pode comprometer o equilíbrio da superfície ocular.
Alterações na qualidade e na estabilidade do filme lacrimal podem provocar inflamação, desconforto e instabilidade visual. Em quadros mais avançados, também podem ocorrer lesões na superfície da córnea e comprometimento da visão.
“O olho seco ainda é frequentemente tratado como um simples sintoma. Na realidade, estamos diante de uma doença complexa, com diferentes causas e mecanismos. É preciso entender o que está acontecendo com aquela superfície ocular para definir a melhor estratégia de tratamento”, explica Dra. Myrna Serapião, oftalmologista especialista em doenças da superfície ocular e diretora médica nacional da Vision One.
Uma doença com diferentes causas
O desenvolvimento ou agravamento do olho seco pode estar relacionado a fatores como envelhecimento, alterações das glândulas de Meibomius, inflamação da superfície ocular, alterações palpebrais, uso de lentes de contato, cirurgias oculares anteriores, condições sistêmicas e determinados medicamentos.
Há também fatores ambientais e comportamentais que podem contribuir para o quadro. Durante o uso prolongado de telas, por exemplo, a frequência e a qualidade do piscar tendem a diminuir, o que pode favorecer a instabilidade e a evaporação do filme lacrimal.
“Nem todo paciente com olho seco tem o mesmo problema. Em alguns casos, predomina a evaporação da lágrima; em outros, existe uma alteração importante das glândulas de Meibomius ou um processo inflamatório. Muitas vezes, esses mecanismos estão associados. Por isso, o tratamento precisa ser individualizado”, afirma a especialista.
Sintomas persistentes merecem atenção
Ardência, sensação de corpo estranho, vermelhidão, sensibilidade à luz, visão flutuante e lacrimejamento recorrente estão entre os sinais que merecem avaliação quando aparecem de forma persistente ou recorrente.
Segundo Dra. Myrna, o olho seco pode se tornar crônico e fazer com que o paciente se acostume aos sintomas.
“O olho seco pode se tornar crônico e, muitas vezes, o paciente se acostuma com os sintomas. Procurar avaliação oftalmológica permite identificar precocemente as alterações e evitar que um quadro inicialmente controlável evolua para um comprometimento maior da superfície ocular”, conclui.
Referência: Prevalence and risk factors for dry eye disease: the Sao Paulo dry eye study. Arquivos Brasileiros de Oftalmologia. 2022;85(6). DOI: 10.5935/0004-2749.202200100.

