Redação Plenax – Flavia Andrade
Candidata a deputada federal pelo PSOL detalha projetos voltados à educação, diversidade cultural, literatura, formação profissional e permanência de jovens no interior
A educação e a ampliação de oportunidades para estudantes e jovens do interior de Mato Grosso do Sul estão entre os principais eixos das propostas apresentadas por Gleycielli Nonato Guató (PSOL), candidata a deputada federal pelo estado. Entre as iniciativas estão programas voltados à educação básica, formação profissional, literatura, diversidade cultural e produção audiovisual.
Gleycielli, que é natural de Coxim e concorre ao cargo de deputada federal pelo PSOL, número 5088, apresenta como uma das propostas o Programa Escola da Diversidade Brasileira. A iniciativa prevê o cumprimento da Lei 11.645, formação de professores, produção de materiais didáticos e expansão dos Institutos Federais para municípios do interior.
A proposta também inclui materiais regionalizados e elaborados com participação indígena, além da valorização de autores e pesquisadores indígenas. Segundo a candidata, a abordagem da diversidade nas escolas deveria ocorrer de maneira contínua, e não apenas em datas específicas.
“Eu acredito que a escola brasileira precisa deixar de ensinar a diversidade do Brasil como se ela fosse apenas uma data comemorativa. A Lei 11.645 já existe e determina o ensino da história e da cultura afro-brasileira e indígena. O que precisamos é garantir que ela seja cumprida de verdade, durante todo o ano, de forma transversal e com qualidade”, afirma.
Para Gleycielli, a proposta também busca ampliar a forma como os povos indígenas são apresentados no ambiente escolar.
“Os povos indígenas não são apenas parte da história do Brasil. Nós somos povos do presente, com línguas, culturas, conhecimentos, territórios, artistas, cientistas, escritores, professores, lideranças e diferentes formas de viver”, declara.
Projeto propõe incentivar produção literária nas escolas
Outro projeto apresentado pela candidata é o Escola que Escreve, voltado à produção literária e criativa nas escolas públicas. A proposta prevê oficinas de poesia, conto, crônica, cordel, histórias em quadrinhos e dramaturgia, além da produção de livros e antologias com textos dos próprios estudantes.
O programa também prevê a participação de escritores, poetas, contadores de histórias e ilustradores nas escolas e a valorização de produções da literatura indígena, afro-brasileira, quilombola, periférica e de comunidades tradicionais.
Gleycielli afirma que a iniciativa tem relação com sua própria trajetória. “Essa proposta nasceu da minha própria vida. Eu sou escritora, educadora, produtora cultural e sou uma mulher indígena Guató. Aprendi, ao longo da minha caminhada, que quando a gente encontra a palavra, a gente encontra também uma forma de existir e de ocupar o mundo”, diz.
A proposta prevê ainda que estudantes possam registrar histórias de familiares, mestres da cultura e moradores antigos, preservando memórias das comunidades. Em Mato Grosso do Sul, a iniciativa inclui narrativas relacionadas ao Pantanal, povos indígenas, comunidades tradicionais, campo, assentamentos, fronteira, rios, cidades, periferias e cultura popular.
“Uma criança de Mato Grosso do Sul precisa conhecer os povos Guató, Terena, Kadiwéu, Guarani, Kaiowá e outros povos que fazem parte da história e do presente do nosso estado. E isso precisa ser feito com respeito, sem folclorizar, sem estereotipar e sem tratar todos os povos como se fossem iguais”, afirma.
Formação profissional e permanência de jovens no interior
A formação profissional também aparece entre as propostas da candidata, por meio do Programa Nacional Primeiro Trabalho do Interior. A iniciativa prevê bolsas de formação, cursos técnicos e profissionalizantes, incentivos a empresas que contratem e formem jovens e estímulo ao empreendedorismo.
A proposta inclui ainda a expansão dos Institutos Federais no interior e a oferta de oportunidades em áreas como tecnologia, cultura, audiovisual, turismo, economia criativa, produção rural e empreendedorismo.
Segundo Gleycielli, o programa parte de uma questão que, de acordo com ela, faz parte da realidade de municípios como Coxim: a saída de jovens em busca de oportunidades de estudo e trabalho.
“Eu gostaria de mudar uma realidade muito comum: a do jovem que termina a escola e escuta que, para ter futuro, precisa ir embora. O problema não é o jovem querer conhecer o mundo. O problema é ele não ter a opção de permanecer, se quiser”, afirma.
O programa prevê articulação entre União, estados, municípios, Institutos Federais, empresas e cooperativas. “Desenvolver o interior também é investir na juventude. Quando a gente oferece oportunidade, a gente não está apenas segurando um jovem na cidade. Está fortalecendo a família, a economia local e o futuro daquele município”, diz.
Proposta prevê produção audiovisual nas escolas
Outro eixo apresentado é o BIOCINEMA, programa nacional de cinema dos biomas que, segundo a candidata, levaria formação audiovisual para escolas públicas dos diferentes territórios.
A proposta prevê atividades de roteiro, fotografia, gravação, entrevista, edição e produção. A ideia é que os estudantes possam produzir filmes relacionados às próprias famílias, comunidades, rios e manifestações culturais.
Para Gleycielli, a iniciativa reúne diferentes formas de aprendizagem e busca aproximar o conteúdo escolar da realidade dos estudantes.
“Eu quero levar essa visão para a política federal. Uma política que escute os municípios, que dialogue com as comunidades e que compreenda que o desenvolvimento não pode ficar concentrado”, conclui.

