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Black Friday começa antes de novembro com disputa por espaço nas recomendações de IAs

Foto: Divulgação

Redação Plenax – Flavia Andrade

Empresas já antecipam preparação para a data e passam a considerar, além de preço e mídia, a presença de produtos e marcas nas respostas de ferramentas de inteligência artificial

Embora a Black Friday esteja marcada para 27 de novembro, a preparação das empresas para a principal data promocional do varejo começa com semanas de antecedência. Para negócios que concentram vendas nos canais digitais, setembro e outubro se tornam períodos estratégicos para revisar campanhas, jornada de compra e informações sobre produtos — incluindo a presença da marca em ferramentas de inteligência artificial (IA).

A mudança ocorre em meio à fragmentação da jornada de compra. Antes de chegar ao site ou aplicativo de uma empresa, o consumidor pode pesquisar em buscadores, redes sociais, marketplaces, lojas de aplicativos e, cada vez mais, recorrer a ferramentas de IA para comparar produtos e preços.

Uma pesquisa da Conversion apontou que 54,6% dos brasileiros pretendiam utilizar inteligência artificial para comparar preços durante a Black Friday de 2025. O dado indica que essas ferramentas começam a ocupar uma posição relevante em uma etapa que, tradicionalmente, era dominada por buscadores e comparadores de preços.

Com isso, a competição digital ganha uma nova frente. Além de disputar posições nos mecanismos de busca, presença nas redes sociais e investimentos em mídia, as empresas precisam garantir que informações sobre seus produtos e serviços estejam disponíveis de forma clara e consistente para serem encontradas e interpretadas pelas ferramentas de IA.

“Durante muito tempo, a preparação para a Black Friday esteve concentrada em preço, mídia e capacidade da operação. Esses fatores continuam fundamentais, mas hoje existe uma jornada digital muito mais fragmentada. O consumidor pode descobrir uma oferta em uma IA, pesquisar o aplicativo na loja, consultar avaliações e só então decidir onde comprar”, afirma Leandro Scalise, CEO da Rank, empresa especializada em inteligência competitiva e performance digital.

Preparação começa até dois meses antes

A recomendação da empresa é que o planejamento para a Black Friday comece entre 45 e 60 dias antes da data. O período pode ser utilizado para avaliar o desempenho de sites e aplicativos, revisar palavras-chave e concorrentes, identificar problemas na experiência de compra e preparar as páginas que serão utilizadas nas campanhas.

A antecedência também permite testar etapas diretamente relacionadas à conversão, como busca por produtos, aplicação de cupons, cálculo de frete, cadastro e pagamento.

Durante períodos promocionais, esses pontos podem ganhar ainda mais importância, já que o consumidor costuma comparar diferentes varejistas antes de concluir a compra.

“Na Black Friday, qualquer etapa desnecessária pesa mais porque o consumidor está comparando várias alternativas ao mesmo tempo. Não adianta investir para levar milhares de pessoas ao site ou aplicativo se uma parcela significativa abandona a compra porque não encontra a oferta anunciada ou enfrenta dificuldade no checkout”, explica Scalise.

Informações passam a ter peso nas respostas das IAs

A preparação, porém, não se limita à estrutura dos canais de venda. A expansão das buscas realizadas com auxílio de inteligência artificial aumenta a importância da qualidade e da consistência das informações disponíveis publicamente sobre empresas e produtos.

Preço, estoque, prazo de entrega, formas de pagamento, características dos produtos, políticas de troca e garantias são alguns dos dados que podem ser considerados na construção de respostas e comparações feitas pelas ferramentas.

Nesse contexto, ganha espaço o conceito de GEO (Generative Engine Optimization), conjunto de estratégias voltadas à presença de marcas e conteúdos em respostas produzidas por mecanismos de inteligência artificial.

A lógica é diferente do SEO tradicional. Enquanto nos mecanismos de busca as empresas disputam posições em uma página de resultados, nas ferramentas de IA diferentes fontes podem ser utilizadas para construir uma única resposta ao usuário.

“Não se trata de escrever conteúdo para enganar um algoritmo ou simplesmente repetir palavras-chave. Se alguém pergunta a uma IA onde comprar determinado produto com entrega rápida e boa política de troca, a ferramenta precisa encontrar informações confiáveis para construir essa resposta”, afirma o executivo.

Consistência entre canais vira diferencial

Outro ponto de atenção para a Black Friday é a integração das informações apresentadas ao consumidor. Uma oferta anunciada em uma campanha precisa corresponder às condições encontradas no site, aplicativo e marketplaces.

Diferenças de preço, disponibilidade, prazo de entrega ou regras promocionais podem gerar desconfiança e aumentar o abandono da compra justamente em um período de forte concorrência.

A reputação digital também entra nessa equação. Avaliações recentes sobre problemas de pagamento, cupons que não funcionam, lentidão ou dificuldades de acesso podem influenciar a decisão de compra.

Por isso, acompanhar comentários em redes sociais, sites, lojas de aplicativos e outros canais pode ajudar as empresas a identificar problemas antes que eles ganhem proporções maiores durante o aumento do tráfego.

Essas fontes públicas também podem ter relevância para as ferramentas de IA. Avaliações, páginas de produtos, marketplaces, comparadores, conteúdos especializados e informações institucionais podem contribuir para a maneira como uma marca é apresentada quando o consumidor solicita uma recomendação.

Métricas vão além de visitas e instalações

A preparação para a Black Friday também exige atenção aos indicadores utilizados para avaliar os resultados das campanhas. Número de visitas ao site ou instalações de aplicativos, isoladamente, não mostra necessariamente a qualidade da aquisição de consumidores.

Indicadores como visualização de produtos, adição ao carrinho, conclusão do checkout, ticket médio, receita, recompra e retenção ajudam a identificar se o público atraído pela campanha efetivamente se transforma em cliente e permanece ativo após a data promocional.

“A Black Friday não deveria terminar no dia 27 de novembro. Uma campanha pode gerar muitas visitas ou instalações e poucas recompras, enquanto outra traz menos usuários, mas consumidores que permanecem ativos por meses”, destaca Scalise.

Com a aproximação da Black Friday, a orientação para as empresas é antecipar a revisão de sua presença digital. Além de preparar preços, estoque e campanhas, o varejo passa a ter de considerar como seus produtos são encontrados, avaliados e recomendados em diferentes ambientes digitais — incluindo as ferramentas de inteligência artificial.

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