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Saúde do fígado dos peixes é essencial para produtividade na piscicultura

Foto: Divulgação

Redação Plenax – Flavia Andrade

Manejo nutricional, qualidade da água e cuidados sanitários ajudam a garantir crescimento adequado e melhor conversão alimentar; produção brasileira já supera 1 milhão de toneladas

Na piscicultura, o desempenho dos peixes está diretamente relacionado à qualidade da alimentação, às condições ambientais e ao manejo adotado durante a produção. Entre os indicadores que podem revelar desequilíbrios antes mesmo do surgimento de sinais clínicos mais evidentes está a saúde do fígado, órgão fundamental para o metabolismo e o aproveitamento dos nutrientes.

O fígado participa do processamento de proteínas, carboidratos e gorduras, além de produzir ácidos biliares que auxiliam na digestão e atuar na defesa do organismo e na eliminação de substâncias tóxicas. Quando seu funcionamento é comprometido, os efeitos podem ser percebidos no crescimento dos animais, na conversão alimentar e, consequentemente, na rentabilidade da produção.

“Nem sempre o mau desenvolvimento dos peixes de cultivo, como a tilápia, é visível aos olhos dos produtores. É no fígado, por exemplo, que boa parte dos nutrientes da ração é transformada e direcionada para as respectivas funções no organismo”, explica Cleber Daniel Almeida, consultor técnico e comercial da MCassab Nutrição e Saúde Animal.

Segundo o especialista, alterações no funcionamento hepático podem fazer com que os peixes aproveitem de maneira menos eficiente os nutrientes da ração. Como consequência, o crescimento pode ser reduzido e a conversão alimentar, prejudicada.

Alterações podem indicar desequilíbrios

Um dos desafios na criação é identificar alterações hepáticas ainda no início, já que nem sempre elas apresentam sinais externos claros. A queda no desempenho dos peixes e mudanças nos índices viscerais podem servir de alerta para o produtor.

Durante avaliações, também é possível observar alterações no tamanho e na coloração do fígado. O órgão pode apresentar aumento de volume ou tonalidades amareladas e pálidas, além de aspecto associado ao acúmulo excessivo de gordura.

Entre os problemas relacionados à alimentação está a lipidose hepática, caracterizada pelo depósito de gordura no fígado. De acordo com Almeida, o quadro pode estar associado a fatores como excesso de ração e dietas desequilibradas, incluindo níveis inadequados de gordura e carboidratos.

“Um dos problemas associados à nutrição é a lipidose hepática, caracterizada pelo acúmulo de gordura no fígado. Excesso de ração, dietas desbalanceadas e níveis inadequados de gordura e carboidratos estão entre os fatores que podem aumentar o risco”, afirma.

Prevenção começa no manejo

A prevenção de problemas hepáticos passa por cuidados que começam antes do aparecimento de alterações nos peixes. A alimentação deve ser adequada à espécie e à fase de produção, tanto em composição quanto em quantidade.

A qualidade e o armazenamento da ração também são pontos importantes. Condições inadequadas podem favorecer problemas como umidade, rancificação e contaminação por micotoxinas, comprometendo a qualidade do alimento e a saúde dos animais.

Além da alimentação, a qualidade da água e o manejo sanitário precisam fazer parte da estratégia de prevenção. Isso porque a saúde do fígado está relacionada ao equilíbrio entre diferentes fatores presentes no sistema de produção.

“A saúde hepática não deve ser vista de forma isolada. Ela resulta da interação entre nutrição, ambiente e manejo, e o fígado pode refletir precocemente qualquer desequilíbrio nesses três pontos”, conclui o especialista da MCassab.

Com a piscicultura brasileira já ultrapassando a marca de 1 milhão de toneladas produzidas, o acompanhamento desses fatores ganha importância para garantir eficiência produtiva, qualidade dos animais e sustentabilidade econômica da atividade.

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