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MS Supera amplia bolsas e busca reduzir evasão de estudantes de baixa renda

Foto: Divulgação

Redação Plenax – Flavia Andrade

Programa passou a atender 2,5 mil alunos e oferece auxílio mensal de R$ 1.621 para estudantes do Ensino Superior e da educação profissional

Para muitos estudantes de baixa renda, conquistar uma vaga na universidade representa apenas o início de uma trajetória marcada por desafios financeiros. Transporte, alimentação, materiais acadêmicos e outras despesas podem dificultar a permanência no curso e aumentar o risco de evasão.

É nesse cenário que atua o MS Supera, programa de auxílio financeiro destinado a estudantes de baixa renda matriculados em instituições públicas e particulares de Ensino Superior ou em cursos de educação profissional técnica.

Durante a gestão do governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição, o programa foi ampliado em 500 vagas e passou a atender 2,5 mil estudantes. Atualmente, cada beneficiário recebe R$ 1.621 por mês.

A proposta é contribuir para que estudantes em situação de vulnerabilidade consigam permanecer nos cursos até a conclusão da formação.

De volta à Medicina

A importância do auxílio aparece na trajetória de Leonel Hamana Figueiredo, estudante de Medicina da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).

Em 2021, ele perdeu a mãe para a Covid-19. O impacto emocional, somado às dificuldades financeiras, fez com que precisasse trancar a graduação.

Três anos depois, em 2024, Leonel conseguiu uma bolsa do MS Supera e retomou o curso. O auxílio passou a ajudar com despesas da rotina acadêmica e também com os custos básicos da casa.

“Eu não tinha dinheiro, às vezes, para pagar a conta de água, quanto mais para ir para Ribeirão Preto”, contou.

Após retornar à universidade, Leonel foi aprovado em segundo lugar em uma seleção da Maternidade Cândido Mariano, onde realizou estágio em Obstetrícia durante um ano. Também passou um mês no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto.

“O programa, para mim, além de me manter numa universidade federal, em um curso de Medicina, me deu a oportunidade de ressuscitar o meu sonho de me tornar um médico. Serei um médico e cuidarei de pessoas”, afirmou.

Entre o trabalho e a faculdade

Daniel de Oliveira Ezidio também precisou conciliar trabalho e graduação antes de receber o benefício. Indígena, filho de uma empregada doméstica e integrante de uma família de sete irmãos, ele cursa Medicina em período integral na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS).

Antes do MS Supera, Daniel estudava durante o dia e trabalhava à noite em uma pizzaria. Com o auxílio, passou a ter melhores condições para se dedicar ao curso.

Sua entrada na universidade também teve impacto na família. Daniel foi o primeiro dos sete irmãos a ingressar no Ensino Superior e passou a incentivar os demais a seguirem o mesmo caminho.

“Logo quando eu entrei na universidade, minha mãe falou para Deus e o mundo. Nós somos sete filhos. Foi a realização de um grande sonho para a gente. Eu sempre falava para mim: sou o primeiro, mas não quero ser o último”, contou.

Atualmente, uma das irmãs cursa Pedagogia e um irmão estuda História.

“Eles acabaram também entrando no Ensino Superior. Eu sempre incentivei, falei para eles: vamos estudar”, relatou.

Despesas que pesam na rotina

Na UFMS, Ariadne Mariana Rocha da Cunha também recebeu o benefício durante o curso de Medicina.

Entre as despesas enfrentadas estavam os deslocamentos para os estágios e os custos com materiais acadêmicos, como fotocópias.

“O MS Supera entrou não só como uma ajuda financeira, mas como um motivo a mais para continuar. É a oportunidade de continuar e nos tornarmos profissionais melhores, mais dedicados. É um investimento humano”, afirmou.

Os gastos podem parecer pequenos quando analisados separadamente, mas se acumulam durante uma graduação, especialmente em cursos de período integral.

Primeiro diploma da família

O auxílio também acompanhou a trajetória de Eurer Eduardo Ramos da Silva, morador do bairro Los Angeles, na região do Anhanduizinho, em Campo Grande.

Criado próximo ao antigo Lixão e estudante da rede pública, ele se tornou, aos 23 anos, o primeiro integrante da família a concluir o Ensino Superior. Eurer se formou em Direito com apoio do MS Supera.

“Tive uma grande oportunidade com o MS Supera, porém também uma grande dimensão de responsabilidade. Isso fez com que eu crescesse e conquistasse diversas oportunidades”, afirmou.

Ele também destacou a importância do programa durante sua formação.

“Tenho uma tremenda gratidão, um tremendo débito com o MS Supera e com a galera que me atendia.”

Permanência como desafio

As trajetórias dos quatro estudantes mostram diferentes obstáculos enfrentados durante a formação superior. Em comum, estão dificuldades que vão além da aprovação no vestibular e envolvem as condições necessárias para permanecer no curso.

No caso de Leonel, o auxílio contribuiu para que ele retomasse a graduação interrompida após a perda da mãe. Daniel conseguiu reduzir a necessidade de conciliar trabalho noturno e uma graduação integral. Ariadne contou com o benefício para despesas relacionadas à rotina acadêmica, enquanto Eurer chegou à formatura e se tornou o primeiro universitário formado da família.

Com a ampliação para 2,5 mil beneficiários, o MS Supera passou a alcançar um número maior de estudantes em Mato Grosso do Sul. O programa tem como foco a permanência de alunos de baixa renda no Ensino Superior e na educação profissional, etapa que pode ser decisiva para que a vaga conquistada se transforme, de fato, em diploma.

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