Posted in

Candidata propõe programa para transformar Pantanal em polo de produção cinematográfica

Foto: Divulgação

Redação Plenax – Flavia Andrade

BIOCINEMA prevê descentralização de recursos, formação de profissionais no interior e participação de povos indígenas e comunidades tradicionais na produção de suas próprias histórias

Transformar o Pantanal de cenário para produções externas em um território capaz de produzir cinema a partir de seus próprios profissionais, histórias e comunidades é uma das propostas apresentadas pela candidata a deputada federal Gleycielli Nonato Guató (PSOL).

A iniciativa, chamada BIOCINEMA – Programa Nacional de Cinema dos Biomas Brasileiros, propõe uma política pública voltada à produção audiovisual, formação profissional, preservação da memória, cultura, educação e desenvolvimento regional. Mato Grosso do Sul seria o território-piloto, com a intenção de posteriormente ampliar o programa para os seis biomas brasileiros.

A proposta parte da avaliação de que diversas histórias, manifestações culturais, conhecimentos tradicionais e modos de vida existentes fora dos grandes centros ainda encontram dificuldades para chegar ao audiovisual.

Para Gleycielli, o cinema pode funcionar simultaneamente como instrumento de preservação da memória e de geração de oportunidades econômicas.

“O BIOCINEMA é uma proposta de política pública nacional que une cinema, cultura, educação, preservação da memória, meio ambiente e desenvolvimento regional. O interior não é apenas público consumidor de cultura. O interior também produz cultura.”

Formação e geração de trabalho no interior

O programa prevê a criação de uma cadeia envolvendo formação, produção, pós-produção, exibição, distribuição e preservação audiovisual.

Entre as medidas propostas estão laboratórios audiovisuais, oficinas, cursos de formação profissional, produção de filmes, cineclubes e circuitos itinerantes de exibição. A iniciativa também prevê mecanismos para estimular a contratação de profissionais locais em produções realizadas nos estados.

A proposta considera que o setor audiovisual movimenta diferentes áreas, como atuação, roteiro, direção, produção, fotografia, som, figurino, maquiagem, cenografia, transporte, alimentação, hospedagem e edição.

Em Mato Grosso do Sul, a intenção seria ampliar a formação e as oportunidades para moradores de municípios como Coxim, Corumbá, Aquidauana, Miranda, Bonito e Porto Murtinho, permitindo que profissionais do interior participem das produções realizadas na própria região.

“Cinema também é trabalho. Queremos formar profissionais no próprio território e criar condições para que eles sejam contratados pelas produções que chegam ao Estado. O objetivo é criar uma cadeia: formar, produzir, contratar, exibir, distribuir e gerar novos projetos”, afirma a candidata.

Povos indígenas como autores

Um dos eixos do BIOCINEMA é a participação de povos indígenas e comunidades tradicionais na criação e produção das obras.

A proposta prevê linhas específicas para projetos dirigidos, escritos e produzidos por indígenas, inclusive com possibilidade de utilização de línguas indígenas. Também estão previstas ações de preservação de conhecimentos, histórias e memórias coletivas.

Segundo Gleycielli, a intenção é ampliar a autonomia das comunidades na construção de suas próprias narrativas.

“Não queremos apenas produzir filmes sobre os povos indígenas. Queremos garantir que eles tenham condições de produzir filmes sobre si mesmos, sobre suas comunidades, suas memórias, suas línguas, seus conhecimentos e seus territórios.”

A proposta defende que os moradores dos territórios assumam diferentes funções nas produções, deixando de ocupar exclusivamente o papel de personagens e passando também a atuar como roteiristas, diretores, produtores e demais profissionais do audiovisual.

Recursos e Fundo Setorial do Audiovisual

Entre as medidas previstas está a criação, dentro do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), de uma linha permanente destinada a projetos relacionados aos biomas brasileiros.

A proposta também prevê critérios de regionalização para a aplicação dos recursos e mecanismos de incentivo à formação e à participação de profissionais e comunidades locais.

Gleycielli afirma que a experiência acumulada no audiovisual influenciou a elaboração do programa. Entre os trabalhos citados estão Índia do Rio, no qual atuou como roteirista, atriz e produtora de arte; A Voz de Guadakan, como produtora de arte e atriz; e Mapago, com funções de roteirista, atriz e produtora executiva.

“Eu conheço a dificuldade que existe para produzir cultura e cinema longe dos grandes centros. Sei que existe talento no interior, mas muitas vezes faltam recursos, equipamentos, formação, estrutura e oportunidade.”

Cinema nas escolas e produção nos rios

O BIOCINEMA também prevê iniciativas voltadas à educação audiovisual. Uma delas é o Cinema dos Rios, que poderá utilizar o Rio Taquari como território-piloto em Mato Grosso do Sul.

Outra frente seria a realização de atividades de cinema nas escolas, com estudantes aprendendo conceitos de roteiro, fotografia, gravação, entrevista, edição e produção audiovisual para registrar histórias e características de suas próprias comunidades.

A candidata afirma que a proposta busca ampliar a presença de profissionais do interior no mercado audiovisual e levar produções regionais para festivais, escolas, cinemas, emissoras de televisão e plataformas digitais.

“Quero ver jovens do Mato Grosso do Sul trabalhando no audiovisual, cineastas indígenas contando suas próprias histórias, mulheres do interior dirigindo filmes e produções feitas aqui chegando a festivais, escolas, cinemas, televisões e plataformas.”

Programa prevê alcance aos seis biomas

A proposta apresentada por Gleycielli prevê atuação nos seis biomas brasileiros: Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Pantanal e Pampa.

Mato Grosso do Sul seria o ponto de partida do programa, com o Pantanal utilizado como território-piloto para ações de formação, produção e preservação audiovisual.

A iniciativa é apresentada pela candidata como uma forma de descentralizar recursos e oportunidades no setor e ampliar a participação de comunidades locais na produção de conteúdo sobre seus próprios territórios.

“Quero que uma criança que cresça no Pantanal olhe para uma tela e reconheça a própria história. Que ela possa pensar: ‘Eu também posso fazer cinema. A minha história também importa’.”

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

error

Enjoy this blog? Please spread the word :)