Redação Plenax – Flavia Andrade
Estresse hídrico e altas temperaturas associados ao El Niño podem comprometer produtividade e ATR; estratégias de manejo buscam fortalecer a fisiologia das plantas
A confirmação do fenômeno climático El Niño pela agência norte-americana NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration) coloca o setor sucroenergético em alerta para os possíveis impactos sobre a produção de cana-de-açúcar. A previsão de distribuição irregular das chuvas, alternando períodos de excesso e escassez, somada à elevação das temperaturas, pode aumentar o estresse das lavouras e afetar a produtividade e o Açúcar Total Recuperável (ATR).
Na cana-de-açúcar, os efeitos do clima podem ocorrer de diferentes formas conforme a região. Onde houver excesso de chuva, a lixiviação de nutrientes tende a aumentar. Já em áreas sujeitas à estiagem, a falta de água e as altas temperaturas podem intensificar o estresse fisiológico das plantas e comprometer o desenvolvimento do canavial.
“Nas regiões que vão sofrer com o excesso de chuva, a lixiviação tende a se intensificar. Mas, nas regiões afetadas pela seca, pode ocorrer perda severa de produtividade e do ATR, agravada pelo estresse oxidativo decorrente da seca”, explica Victor Hugo de Faria Guedes, engenheiro agrônomo e desenvolvedor de mercado da Biotrop.
O estresse oxidativo ocorre quando a planta submetida à escassez hídrica e ao calor acumula espécies reativas de oxigênio (EROs) em quantidade superior à sua capacidade de neutralização. Essas moléculas podem provocar danos às membranas e a outras estruturas celulares, interferindo em processos como fotossíntese e metabolismo energético.
Como resposta às condições adversas, a cana-de-açúcar direciona parte de sua energia para mecanismos de defesa e sobrevivência, reduzindo recursos disponíveis para crescimento e acúmulo de sacarose. A consequência pode ser a queda do potencial produtivo e do ATR.
“O ambiente restritivo castiga o canavial, comprometendo a rentabilidade do produtor. Mas, com um bom planejamento no manejo e a aplicação de soluções adequadas, é possível atravessar o período de seca causado pelo El Niño mitigando seus efeitos”, ressalta Victor.
Bioinsumos entram nas estratégias de manejo
Em períodos de estresse climático, o fortalecimento da fisiologia das plantas pode fazer parte das estratégias adotadas pelos produtores para reduzir perdas. Entre as alternativas estão os bioinsumos desenvolvidos para auxiliar a planta na tolerância a condições adversas.
Segundo Victor, a Biotrop utiliza o Bioasis Power, produto que, de acordo com a empresa, atua como ativador microbiológico de plantas. A solução busca aumentar a tolerância ao estresse térmico, estimular o desenvolvimento das raízes e favorecer a manutenção do turgor celular.
“O Bioasis Power aumenta a produção das enzimas antioxidantes, mantendo o equilíbrio fisiológico da planta”, explica o engenheiro agrônomo.
A proposta é auxiliar a cana a lidar com o estresse oxidativo provocado por condições de seca e calor. O desenvolvimento do sistema radicular também pode ampliar a capacidade de exploração do solo, permitindo que as raízes alcancem camadas mais profundas em busca de água.
Com maior exploração da região radicular, a planta pode melhorar o aproveitamento da água disponível no solo e aumentar sua capacidade de enfrentar períodos de menor disponibilidade hídrica.
“O clima continuará sendo um fator de risco para a produção, mas estratégias de manejo que fortaleçam a fisiologia da planta ajudam a reduzir perdas e preservar o potencial produtivo mesmo em anos de maior adversidade”, conclui Victor.

