Redação Plenax – Flavia Andrade
Inflamação pode atingir diferentes regiões da boca e ter diversas causas; lesões que não cicatrizam em até duas semanas precisam de avaliação especializada
Apesar do nome, a estomatite não tem qualquer relação com o estômago. O termo se refere a uma inflamação da mucosa da boca, que pode atingir a língua, gengivas, parte interna das bochechas, céu da boca e lábios.
Além de causar dor e desconforto, o problema pode dificultar atividades simples do cotidiano, como comer, beber e falar.
Segundo a otorrinolaringologista Dra. Cleonice Hirata, do Hospital Paulista, estomatite não é o nome de uma doença específica, mas de um processo inflamatório que pode ter diferentes origens.
Entre as possíveis causas estão infecções virais, fúngicas e, mais raramente, bacterianas. Traumas provocados por mordidas, aparelhos ortodônticos ou próteses mal adaptadas também podem desencadear o problema. A especialista cita ainda alergias, doenças autoimunes, tumores, deficiências nutricionais e reações a determinados medicamentos.
Nem toda ferida na boca é estomatite
Um erro comum é considerar qualquer ferida na boca como estomatite ou associar toda estomatite a uma afta.
A afta geralmente aparece como uma pequena úlcera isolada, arredondada e bem delimitada. Já a estomatite costuma envolver uma área maior da mucosa e pode provocar múltiplas lesões, vermelhidão, inchaço, ardência e dor intensa.
Quando a origem é viral, também podem ocorrer sintomas como febre e aumento dos gânglios do pescoço.
Outro sinal de alerta são as feridas que permanecem por muito tempo. Lesões que não cicatrizam em até duas semanas, apresentam endurecimento, sangram com facilidade ou mudam de cor devem ser avaliadas por um especialista. Esses sinais podem estar relacionados a outras doenças, inclusive lesões pré-cancerosas ou câncer de boca.
Frio não causa estomatite, mas pode favorecer o problema
Embora algumas pessoas percebam maior ocorrência de feridas na boca durante o inverno, o frio, isoladamente, não provoca estomatite.
A estação, porém, reúne condições que podem favorecer o surgimento ou agravamento de determinados casos. Entre elas estão a maior circulação de vírus respiratórios, a permanência prolongada em ambientes fechados, o ressecamento da mucosa provocado pelo clima seco e pela menor ingestão de água.
Infecções, estresse, noites mal dormidas e alimentação inadequada também podem contribuir para uma queda temporária da imunidade.
“Não existe uma relação direta entre o frio e a estomatite. O inverno cria um cenário que favorece alguns tipos da doença, principalmente aqueles relacionados a infecções virais e ao ressecamento da mucosa”, explica a Dra. Cleonice Hirata.
Crianças, idosos e pessoas imunossuprimidas exigem atenção
A estomatite pode aparecer em qualquer idade, mas alguns grupos apresentam maior predisposição.
Crianças estão mais expostas a vírus em ambientes como creches e escolas. Entre os idosos, o uso de próteses dentárias e a ocorrência de boca seca podem aumentar a vulnerabilidade.
Também merecem atenção pessoas com doenças crônicas, como diabetes, câncer e HIV, além de outras condições que comprometam o sistema imunológico.
Pacientes submetidos a tratamentos com medicamentos imunossupressores, quimioterapia ou radioterapia também apresentam maior risco de desenvolver o problema.
Hábitos podem ajudar na prevenção
Nem todos os casos de estomatite podem ser evitados, mas algumas medidas podem reduzir os riscos.
Manter uma boa higiene bucal, com escovação adequada e uso diário de fio dental, é uma das principais recomendações. Também é importante beber água regularmente para evitar o ressecamento da mucosa e manter uma alimentação equilibrada, com vitaminas e minerais.
Próteses e aparelhos que estejam provocando atrito devem ser avaliados e ajustados. Quando houver sensibilidade na boca, alimentos que causem irritação podem ser evitados.
Em casos de suspeita de infecção viral, também é recomendado não compartilhar objetos de uso pessoal.
O acompanhamento periódico com médico e dentista contribui para identificar alterações na cavidade oral e investigar lesões persistentes.
Quando procurar um especialista?
Pequenas lesões podem desaparecer espontaneamente em poucos dias. No entanto, alguns sinais indicam que é necessário procurar atendimento.
A avaliação profissional é recomendada quando as feridas:
permanecem por mais de 14 dias sem cicatrizar;
são muito grandes, numerosas ou extremamente dolorosas;
aparecem repetidamente sem causa aparente;
estão acompanhadas de febre alta;
provocam dificuldade para engolir;
vêm acompanhadas de sinais de desidratação;
sangram com frequência;
apresentam endurecimento ou mudança de aspecto;
surgem em pessoas com baixa imunidade.
“Nessas situações, a avaliação profissional é fundamental para identificar a causa da estomatite, indicar o tratamento mais adequado e descartar outras doenças que podem exigir acompanhamento específico”, conclui a Dra. Cleonice Hirata.
Sobre o Hospital Paulista
Fundado em 1974, o Hospital Paulista de Otorrinolaringologia atua há cinco décadas no atendimento especializado em ouvido, nariz e garganta. Ao longo de sua trajetória, ampliou sua atuação para áreas como Fonoaudiologia, Alergia Respiratória e Imunologia, Distúrbios do Sono, Cirurgia Cérvico-Facial, Buco-Maxilo-Facial e Foniatria.
A instituição também conta com um Centro de Medicina Diagnóstica em Otorrinolaringologia e atendimento especializado 24 horas.

