Redação Plenax – Flavia Andrade
Pacote de quase R$ 125 milhões reúne obras de pavimentação, drenagem e novos acessos em uma das regiões mais populosas de Campo Grande
Quando Marilene Oliveira, de 59 anos, se mudou para a Moreninha IV, o bairro ainda não tinha água, energia elétrica ou transporte coletivo. Em dias de chuva, a lama fazia parte da rotina.
Décadas depois, a aposentada acompanha uma nova transformação diante de casa. As obras de drenagem avançaram, as medições foram realizadas e o maquinário já circula pelas ruas que aguardam a chegada do asfalto.
“Quando chovia tinha que sair com sacola no pé, agora começamos a ver o maquinário chegar. Já fez o encanamento, medição, estamos confiantes com a chegada do asfalto”, conta.
A história de Marilene ajuda a dimensionar o impacto das intervenções que vêm sendo realizadas na região das Moreninhas, onde vivem cerca de 30 mil pessoas. Considerando obras concluídas, em andamento e previstas, os investimentos chegam a quase R$ 125 milhões e incluem pavimentação, drenagem, recapeamento e a implantação de novos acessos.
As intervenções buscam enfrentar problemas que durante anos fizeram parte do cotidiano dos moradores, como poeira, lama, dificuldade de circulação e prejuízos à mobilidade.
Asfalto muda a rotina
Parte dessa realidade já ficou para trás. Antônio Pereira Rodrigues mora há 42 anos na Cidade Morena e acompanhou de perto as dificuldades provocadas pelas ruas sem pavimentação.
O asfalto chegou à frente de sua casa há dois anos e, segundo ele, trouxe mudanças que ultrapassam a mobilidade.
“Tudo mudou depois do asfalto. Começamos pela estética do bairro, que ficou mais bonito. Aqui, quando chovia, era um caos total. Descia aquela enxurrada das Moreninhas, a gente não conseguia sair de casa. Estamos em outra realidade.”
Antônio também afirma que a valorização dos imóveis estimulou moradores a investir nas próprias casas e no comércio local.
“A nossa casa foi valorizada, as pessoas começaram a investir em comércio e reforma da casa. Uma mudança radical para melhor.”
Entre as intervenções já realizadas estão obras de pavimentação, drenagem e recapeamento na Avenida Alto da Serra e em ruas das Moreninhas, Cidade Morena e Nova Capital.
O pacote inclui vias como Buenópolis, Inconfidente, Ubirajara, Guarani, Floreal, Salmorão, Jaguariúna, Israelândia, Joaquim Leonardo Maia, Crispim Moura, Bento de Souza, Osni Moura, Olívia Moura, Luiz Baptista Pereira de Almeida, Camocim, Macambira e Peruíbe, além de outras ruas e travessas.
Na Avenida Gury Marques, os trabalhos começaram pela drenagem e também incluem recapeamento e implantação de ruas laterais.
Para os moradores, a infraestrutura representa uma mudança concreta principalmente durante o período de chuvas, quando determinados pontos da região enfrentavam lama e dificuldades para a circulação de veículos.
O governador Eduardo Riedel afirma que a meta é levar a pavimentação a toda a região.
“Uma grande satisfação passar pelas Moreninhas e ver todas estas obras de pavimentação, tanto as que foram concluídas como as em andamento. Todo bairro será asfaltado.”
Segundo Riedel, o planejamento também prevê uma nova ligação viária entre as Moreninhas e os bairros Rita Vieira e Itamaracá.
Moreninha IV recebe novas etapas de pavimentação
A expansão da região aumentou também a demanda por infraestrutura. Na Moreninha IV, duas etapas de pavimentação já foram concluídas.
A primeira contemplou as ruas Maria Cândida de Rezende, Orlomar Fernandes, Ivo Osman Miranda e Copaíba, com investimento de R$ 1,4 milhão em pavimentação e drenagem.
A segunda incluiu as ruas João Adolfo Cintra, Cândida Menezes Cintra, Antônio Pires de Oliveira, Elias Saad e Clotilde Chaia, com investimento estadual superior a R$ 1,29 milhão.
José Lúcio de Araújo Júnior mora no bairro há 12 anos e lembra das condições enfrentadas antes do asfaltamento.
“Aqui, na época sem asfalto, era só terra vermelha, poeira e barro. Quando chovia a gente sofria mais. Uma vez atolei minha moto e acabei caindo na frente de casa.”
Há quase um ano, o asfalto chegou à região.
“Com certeza foi uma mudança ótima não apenas para mim, mas para todos aqui. Valorizou bastante nosso imóvel também. Moro aqui com a minha filha e ninguém quer sair aqui do bairro”, afirma.
Enquanto algumas ruas já receberam asfalto, outras seguem em obras. As intervenções nas Moreninhas III e IV somam R$ 9,1 milhões.
Segundo o engenheiro responsável pela obra, José Alexandre Delmondes, os serviços avançam em diferentes frentes.
“Já iniciamos o serviço de drenagem e terraplanagem, em duas frentes. Em breve já aplicamos o asfalto em diversas ruas. O objetivo é que, ao concluir esta etapa, poderemos asfaltar 100% as Moreninhas.”
Infraestrutura também interfere nas pequenas atividades
Os efeitos das obras aparecem também em situações do cotidiano.
Marilene participa de um projeto social que distribui verduras para moradores da região. Antes da pavimentação, a chuva e a poeira dificultavam até a entrega dos alimentos.
“Trago todo mundo para minha varanda, porque se chove ou está poeira fica ruim entregar lá fora. Com o asfalto chegando tudo isto vai melhorar.”
A expectativa mostra como obras de infraestrutura interferem em atividades que vão além do trânsito de veículos: a possibilidade de sair de casa durante as chuvas, evitar atoleiros, melhorar o acesso às residências e estimular novos investimentos no bairro.
Novo acesso deve ampliar a mobilidade
Além das obras internas, o projeto prevê uma nova ligação entre a Avenida Alto da Serra, nas Moreninhas, e a Avenida Salomão Abdala, no Rita Vieira.
A conexão deverá criar uma alternativa de deslocamento para os moradores e facilitar a integração da região com bairros vizinhos.
O investimento previsto é de R$ 57 milhões. A licitação para a execução do projeto já foi publicada.
Antes do início da obra, ainda são necessárias etapas como a desapropriação de áreas atingidas pelo futuro traçado. Para viabilizar esse processo, o Governo do Estado e a Prefeitura de Campo Grande firmaram um convênio.
Assim, a transformação das Moreninhas ainda está em andamento: enquanto algumas ruas já convivem com o asfalto, outras recebem drenagem e pavimentação, e o novo acesso permanece como uma próxima etapa.
Para moradores como Marilene, porém, a mudança já começou. Depois de chegar a um bairro onde, segundo ela, faltavam serviços básicos e transporte, agora ela vê as máquinas ocuparem as ruas e espera deixar para trás uma das imagens mais marcantes de sua trajetória na região: a necessidade de colocar sacolas nos pés para enfrentar a lama.

