Redação Plenax – Flavia Andrade
Ex-governador e pré-candidato ao Senado afirma que carga tributária e insegurança jurídica ameaçam investimentos, empregos e renda no país
O avanço de empresas brasileiras para países vizinhos, especialmente o Paraguai, reforça a necessidade de mudanças estruturais no ambiente de negócios do Brasil, segundo o ex-governador de Mato Grosso do Sul e pré-candidato ao Senado Reinaldo Azambuja.
O alerta foi feito durante a Convenção Nacional do PL, realizada no sábado, que oficializou o senador Flávio Bolsonaro como pré-candidato à Presidência da República. Na avaliação de Azambuja, o movimento de empresas em direção ao exterior revela dificuldades enfrentadas pelo setor produtivo brasileiro.
Dados do Ministério da Indústria e Comércio do Paraguai citados pelo ex-governador apontam que 223 indústrias brasileiras já operam no país vizinho por meio do regime de Maquila. O número representa 69% das 332 indústrias estrangeiras registradas no Paraguai nesse modelo. A Argentina também aparece como destino de investimentos brasileiros.
Para Azambuja, a situação exige medidas capazes de tornar o Brasil mais competitivo e estimular a permanência de empresas no país.
“Milhares de empresas do comércio, serviços e indústria fecharam definitivamente suas portas por não suportarem as pesadas cargas tributárias e a insegurança de investir no Brasil. O governo precisa agir para impedir essa debandada, que coloca a nação em risco economicamente, ameaçando o emprego e a renda das famílias”, afirmou.
Regime de Maquila atrai empresas
Um dos fatores apontados para a atração de indústrias ao Paraguai é o regime de Maquila, criado em 1997. O modelo permite que empresas instaladas no país importem insumos com benefícios tributários e exportem produtos com tributação de 1% sobre o valor agregado, conforme as regras do programa.
O cenário é utilizado como exemplo por críticos da estrutura tributária brasileira, que apontam diferenças nos custos de produção e na carga de impostos entre os dois países.
Segundo os dados apresentados por Azambuja, o Paraguai registrou crescimento econômico de 6,6% em 2025, enquanto o Brasil avançou 2,3%. Para 2026, a previsão citada para a economia paraguaia é de expansão de 4,2%.
O ex-governador também mencionou a posição do Brasil em índices internacionais de competitividade tributária e afirmou que o aumento da carga de impostos, associado à insegurança jurídica e a problemas de segurança pública, pode desestimular novos investimentos.
Encerramento de empresas preocupa
Dados do Sebrae citados por Azambuja apontam crescimento de 15,8% no fechamento de empresas, com 741 mil CNPJs encerrados. Desse total, 75% seriam microempreendedores individuais (MEIs) e 18%, microempresas.
Os setores de comércio, serviços e indústria concentram parcela significativa tanto das aberturas quanto dos encerramentos registrados.
Na avaliação do ex-governador, o cenário reforça a necessidade de medidas voltadas à redução dos custos para as empresas, aumento da segurança jurídica e criação de condições mais favoráveis para investimentos produtivos.
Atuação no Senado
Azambuja também destacou o papel do Senado Federal na discussão de medidas relacionadas ao desenvolvimento econômico e social.
“Ali, no Senado, será o palco da tomada de medidas capazes de proporcionar políticas de bem-estar para as famílias, tanto na área de emprego e renda, como na saúde, educação e infraestrutura.”
Durante a convenção do PL, o ex-governador também declarou apoio ao projeto político liderado pelo partido e afirmou que o encontro representa o início de uma mudança na trajetória do país.
Segundo Azambuja, a prioridade deve ser construir um ambiente com mais competitividade, geração de empregos, crescimento econômico e segurança para investidores e empreendedores.

