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Spray de pimenta exige preparo e conhecimento para uso responsável na defesa pessoal

Foto: Divulgação

Redação Plenax – Flavia Andrade

Treinamento de Krav Maga pode ajudar mulheres a avaliar situações de risco, utilizar corretamente ferramentas de defesa e manter a segurança em momentos de ameaça

O spray de pimenta pode ser uma ferramenta de defesa pessoal, mas seu uso exige atenção, preparo e conhecimento sobre as condições do ambiente. Segundo o Grão-Mestre Kobi Lichtenstein, introdutor do Krav Maga na América Latina, a falta de treinamento pode fazer com que o produto seja ineficaz ou até mesmo atinja a própria pessoa que tenta se defender.

Em 30 de junho, o Senado Federal aprovou um projeto de lei que prevê a autorização para venda, aquisição e porte de spray de pimenta para defesa pessoal por mulheres. O texto, conforme informado no material, aguarda sanção presidencial e estabelece regras para comercialização e utilização do produto.

Para Kobi, assim como qualquer recurso empregado em uma situação de defesa pessoal, o spray apresenta limitações que precisam ser conhecidas antes de uma eventual utilização.

“Quando nos defendemos com nosso próprio corpo, visamos os pontos sensíveis do agressor para inutilizar seu ataque. O spray não funciona assim, pois não faz o mesmo efeito em todas as pessoas e, se não for bem direcionado, pode inclusive atingir quem está usando o produto”, explica.

Ambiente e distância são fatores importantes

O especialista destaca que quem utiliza spray de pimenta precisa conhecer previamente as características do produto e considerar as condições do ambiente.

Entre os aspectos apontados estão a distância adequada de utilização, que pode variar conforme o alcance do equipamento, além da direção do jato e das condições do local. Ambientes fechados ou situações em que o vento sopra contra quem utiliza o spray podem aumentar o risco de exposição ao próprio produto.

Outro aspecto importante é não depender exclusivamente do spray. Em uma situação de ameaça, é necessário considerar a possibilidade de o recurso não produzir o efeito esperado e manter uma alternativa segura para deixar o local.

“Ou seja, são muitas variáveis que podem prejudicar mais do que ajudar uma pessoa que não tenha um treinamento adequado”, afirma Kobi.

Como o Krav Maga pode contribuir

O Krav Maga é apresentado pela Federação Sul-Americana de Krav Maga como um sistema voltado à defesa pessoal. A modalidade trabalha respostas objetivas diante de situações de ameaça e busca preparar o praticante para reconhecer riscos e reagir de maneira adequada.

De acordo com Kobi, o treinamento também desenvolve a percepção do ambiente e a capacidade de avaliar rapidamente os recursos disponíveis em uma situação de perigo.

“Quem treina Krav Maga e vai fazer o uso do spray vai levar tudo em consideração em segundos: ter o produto disponível, verificar o ambiente, as condições de uso, o nível da ameaça – se o agressor tem armas, se a distância é favorável, enfim, todas as variáveis que possam colaborar para que sua defesa seja eficiente”, explica.

O treinamento também aborda situações nas quais o spray não é uma alternativa adequada, como espaços muito pequenos ou confinados. Nesses casos, segundo o especialista, o praticante pode recorrer a estratégias de defesa pessoal que não dependam do uso do aerossol.

Preparo emocional também faz parte da defesa

Além da parte física, Kobi destaca a importância do controle emocional. Em uma situação real de ameaça, medo e estresse podem dificultar até mesmo o acionamento de um equipamento que a pessoa conhece.

“Há sim, o Krav Maga dá a ele o preparo físico e mental para performar com segurança nessa hora”, afirma.

O objetivo, segundo o especialista, é fazer com que a pessoa não dependa de uma única ferramenta para se proteger. O treinamento busca desenvolver percepção de risco, tomada de decisão e capacidade de procurar uma saída segura diante de uma ameaça.

Cresce a procura de mulheres pelo Krav Maga

A violência contra a mulher continua sendo um problema social e de segurança pública no Brasil, abrangendo situações de violência física, psicológica, sexual e patrimonial, além do feminicídio.

Nesse contexto, o material aponta que a procura feminina pelo Krav Maga cresceu 15% em um ano. Atualmente, segundo Kobi Lichtenstein, as mulheres representam cerca de 30% dos alunos.

Para o Grão-Mestre, a prática pode contribuir para que as mulheres desenvolvam maior autoconfiança e modifiquem sua relação com situações de medo.

Mais do que aprender a utilizar um determinado instrumento, a proposta apresentada pelo Krav Maga é preparar a praticante para identificar riscos, avaliar as circunstâncias e priorizar a própria segurança, inclusive quando o spray de pimenta não puder ou não dever ser utilizado.

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