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Manejo da planta de cobertura na entressafra é decisivo para o sucesso da próxima safra, apontam especialistas

Foto: Divulgação

Redação Plenax – Flavia Andrade

As plantas de cobertura se consolidaram como uma das principais ferramentas para a conservação do solo e o aumento da eficiência dos sistemas produtivos brasileiros. No entanto, especialistas alertam que apenas produzir grande volume de biomassa não garante melhores resultados na safra seguinte. O manejo realizado durante a entressafra é apontado como um fator decisivo para o desempenho da lavoura.

Quando a cobertura vegetal cresce sem acompanhamento técnico e permanece por longos períodos sem intervenções, o excesso de massa pode dificultar a operação das semeadoras, aumentar o risco de embuchamentos, comprometer a deposição uniforme das sementes e reduzir a eficiência do plantio.

Manejo favorece desenvolvimento das plantas

Além de proteger o solo contra erosão, reduzir a evaporação da água e contribuir para a ciclagem de nutrientes, as plantas de cobertura desempenham papel importante na melhoria da estrutura física do solo, desde que conduzidas de forma adequada.

Segundo a coordenadora de Pesquisa e Desenvolvimento da SBS Green Seeds, Lara Gabriely Silva Moura, o equilíbrio no crescimento da cobertura é obtido por meio de manejos realizados antes da dessecação.

“Ao reduzir parte da massa aérea, a planta responde fisiologicamente com a emissão de novos perfilhos e a renovação do sistema radicular”, explica.

De acordo com a especialista, esse processo mantém as raízes ativas por mais tempo, favorece a formação de bioporos, aumenta a incorporação de matéria orgânica em profundidade e estimula a atividade biológica do solo.

Solo mais protegido e operações mais eficientes

Os benefícios também são observados na superfície da lavoura. Uma cobertura uniforme melhora a proteção contra o impacto das chuvas, reduz processos erosivos, auxilia no controle de plantas daninhas e contribui para manter temperaturas mais estáveis no solo.

Essas características tornam-se ainda mais importantes em regiões sujeitas a estiagens prolongadas ou eventos de chuva intensa.

Além dos ganhos agronômicos, o manejo adequado facilita as operações mecanizadas. Com uma distribuição mais uniforme da palhada e menor acúmulo de material, a semeadora trabalha com maior eficiência, favorecendo o corte da cobertura e o posicionamento das sementes.

“Esse conjunto de fatores favorece uma emergência mais homogênea das plantas e contribui para o estabelecimento inicial da lavoura, etapa decisiva para a construção da produtividade”, destaca Lara.

Planejamento deve considerar os objetivos da propriedade

A especialista ressalta que o desempenho das plantas de cobertura depende da combinação entre genética, planejamento e manejo técnico.

Segundo ela, a escolha das espécies deve levar em conta fatores como as características do solo, o clima, a janela de cultivo e os objetivos do sistema produtivo.

Cada estratégia demanda combinações específicas de espécies e diferentes formas de manejo, seja para produção de palhada, descompactação biológica, ciclagem de nutrientes, fixação de nitrogênio ou integração entre lavoura e pecuária.

“Diferentes sistemas exigem manejos específicos para que cada espécie expresse seu máximo potencial. Por isso, é fundamental contar com a orientação de um especialista”, afirma.

Qualidade da cobertura faz diferença na produtividade

Especialistas destacam que o sucesso da cobertura vegetal não está apenas na quantidade de biomassa produzida, mas na qualidade do manejo realizado ao longo da entressafra.

A integração entre sementes de alto desempenho, planejamento técnico e intervenções no momento adequado contribui para formar solos mais estruturados, melhorar a eficiência operacional das propriedades e criar condições mais favoráveis para o desenvolvimento das culturas comerciais nas próximas safras.

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