Redação Plenax – Flavia Andrade
O Governo do Brasil anunciou um conjunto de novas medidas voltadas ao fortalecimento da proteção às mulheres, ao endurecimento da responsabilização de agressores e à ampliação da rede de acolhimento em todo o país. As ações chegam em um cenário ainda marcado por altos índices de violência de gênero, que seguem impactando milhares de brasileiras diariamente.
Em maio deste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou um pacote que inclui a criação do Cadastro Nacional de Agressores, o fortalecimento das medidas protetivas, a ampliação dos mecanismos de afastamento de autores de violência e o endurecimento de punições em casos de violência doméstica e feminicídio.
As iniciativas fazem parte do Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio, que reúne União, estados e municípios em uma estratégia integrada de prevenção, proteção e responsabilização. A mobilização busca ampliar a rede de atendimento e fortalecer políticas públicas voltadas às mulheres em situação de violência.
“Todo mundo precisa trazer para si essa responsabilidade”, afirmou o presidente Lula ao defender o envolvimento conjunto da sociedade no enfrentamento ao problema.
Queda nos casos, mas cenário ainda preocupa
Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública apontam redução de 11,45% nos casos de feminicídio em abril e maio de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Apesar da queda, o país ainda registrou 232 vítimas em dois meses, o que mantém o alerta sobre a gravidade da violência contra mulheres.
Como parte das ações de enfrentamento, o governo coordena a Operação Mulher Segura, que atua na prevenção, fiscalização de medidas protetivas e prisão de agressores. Na segunda edição da operação, foram realizadas 630 prisões nos primeiros 15 dias, além do atendimento a mais de 2 mil mulheres em situação de violência.
Histórias que revelam uma realidade silenciosa
Por trás dos números estão histórias como a de Marta* e Gabriela*, que representam milhares de mulheres brasileiras que enfrentaram diferentes formas de violência dentro de casa.
Marta viveu mais de duas décadas em um relacionamento marcado por violência psicológica, patrimonial e emocional. Ela conta que não reconhecia os abusos como violência até enfrentar consequências graves, incluindo um Acidente Vascular Cerebral (AVC) durante o período de maior instabilidade familiar.
Após conseguir apoio e romper o ciclo de violência, ela buscou reconstruir a vida. Voltou a estudar, tornou-se professora concursada e hoje relata um processo de recuperação emocional contínuo. “Eu quis viver por mim”, resume.
Gabriela também precisou recomeçar. Após anos de agressões físicas e ameaças, deixou o interior de São Paulo com o filho e apenas R$ 600, mudando-se para Campo Grande (MS). Antes disso, chegou a viver em abrigo e acionou a Lei Maria da Penha.
Na nova cidade, encontrou apoio na Casa da Mulher Brasileira, equipamento que reúne atendimento psicossocial, jurídico e de proteção em um único espaço. O suporte foi fundamental para sua reconstrução pessoal e profissional. Hoje, ela atua como eletricista e segue em acompanhamento psicológico.
Rede de proteção e prevenção
A Casa da Mulher Brasileira integra a estratégia nacional de atendimento às vítimas, oferecendo acolhimento especializado e suporte para romper ciclos de violência. O governo também destaca ações de prevenção e educação como pilares fundamentais para reduzir os casos no longo prazo.
Entre as diretrizes, está o incentivo ao debate sobre igualdade de gênero nas escolas e a promoção de campanhas de conscientização voltadas à sociedade.
As medidas fazem parte de uma estratégia mais ampla que busca integrar prevenção, acolhimento e responsabilização, com a participação de diferentes instituições públicas e da sociedade civil.
Uma pauta de responsabilidade coletiva
O conjunto de ações reforça a tentativa de enfrentar um problema estrutural que ainda atinge milhares de mulheres no país. Apesar dos avanços, especialistas apontam que o enfrentamento à violência de gênero exige continuidade, articulação institucional e mudança cultural.
As histórias de Marta e Gabriela ajudam a ilustrar essa realidade e reforçam a importância de políticas públicas permanentes de proteção, acolhimento e autonomia para mulheres em situação de violência.
Os nomes foram alterados para preservar a identidade das entrevistadas.

