Redaçã Plenax – Flavia Andrade
Levantamento do IBGE aponta redução no número de brasileiros que não sabem ler e escrever; país contabiliza 8,4 milhões de analfabetos em 2025
O Brasil alcançou em 2025 o menor índice de analfabetismo desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua. Dados divulgados nesta sexta-feira (19) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a taxa de analfabetismo entre pessoas com 15 anos ou mais caiu para 4,9%, ficando pela primeira vez abaixo da marca de 5%.
O resultado representa uma redução de 592 mil pessoas analfabetas em comparação com 2024. Atualmente, o país possui cerca de 8,4 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais que não sabem ler nem escrever um bilhete simples.
A pesquisa também revela avanços significativos quando comparados aos dados de 2022. Naquele ano, a taxa de analfabetismo era de 5,6%. Entre os idosos com 60 anos ou mais, o índice caiu de 16% para 13,8% no mesmo período, atingindo o menor patamar já registrado para essa faixa etária.
Apesar da queda, os idosos ainda concentram a maior parcela da população analfabeta. Dos 8,4 milhões de brasileiros sem alfabetização, cerca de 4,9 milhões têm 60 anos ou mais, o equivalente a 58% do total.
Nordeste concentra mais da metade dos analfabetos
O levantamento aponta que as desigualdades regionais continuam presentes. O Nordeste concentra mais da metade da população analfabeta do país, com aproximadamente 4,8 milhões de pessoas e taxa de 10,6%.
Na sequência aparecem as regiões Norte, com índice de 5,7%; Centro-Oeste, com 3,3%; Sul, com 2,4%; e Sudeste, com 2,3%.
Mulheres apresentam menor taxa de analfabetismo
Pela primeira vez desde o início da série histórica, as mulheres com 60 anos ou mais registraram taxa de analfabetismo inferior à dos homens da mesma faixa etária.
Entre as idosas, o índice ficou em 13,7%, enquanto entre os homens chegou a 14,1%.
Na população com 15 anos ou mais, as mulheres também apresentaram desempenho melhor, com taxa de 4,6%, contra 5,2% entre os homens.
Segundo o IBGE, os dados refletem avanços consistentes na escolarização feminina ao longo das últimas décadas e indicam uma redução gradual das desigualdades educacionais históricas.
Diferença racial ainda é desafio
O estudo mostra que a desigualdade racial permanece como um dos principais desafios da educação brasileira.
Entre pessoas com 15 anos ou mais, a taxa de analfabetismo entre pretos e pardos é de 6,5%, mais que o dobro da registrada entre brancos, que ficou em 2,8%.
A diferença se amplia entre os idosos. Na população com 60 anos ou mais, 20,6% dos pretos e pardos são analfabetos, enquanto entre os brancos o índice é de 7,3%.
Ensino médio avança entre pretos e pardos
Outro dado considerado positivo pelo IBGE é o aumento da escolaridade entre a população preta e parda.
Pela primeira vez, mais da metade das pessoas pretas e pardas com 25 anos ou mais concluiu o ensino médio. O percentual chegou a 51,3% em 2025.
Entre os brancos, a taxa alcançou 64,9%. Embora a diferença ainda seja significativa, ela vem diminuindo ao longo dos anos. Em 2016, a distância entre os grupos era de 16,4 pontos percentuais; atualmente, caiu para 13,6 pontos.
Considerando toda a população brasileira com 25 anos ou mais, 57,4% concluíram a educação básica obrigatória, o maior percentual da série histórica.
Pesquisa monitora indicadores educacionais
A PNAD Contínua é uma das principais pesquisas realizadas pelo IBGE para acompanhar indicadores sociais e educacionais do país. Além do analfabetismo, o levantamento avalia escolarização, anos de estudo, frequência escolar e a situação de jovens em relação à educação e ao mercado de trabalho.
Os dados divulgados nesta edição foram revisados com base nos resultados do Censo Demográfico de 2022, permitindo uma atualização mais precisa dos indicadores educacionais brasileiros.

