Redação Plenax – Flavia Andrade
No Dia Mundial do Câncer de Rim, especialista alerta para fatores de risco e destaca avanços que ampliam as chances de controle da doença
Celebrado em 18 de junho, o Dia Mundial do Câncer de Rim chama a atenção para uma das características mais desafiadoras da doença: a ausência de sintomas nas fases iniciais. Na maioria dos casos, o tumor é descoberto por acaso durante exames de imagem realizados por outros motivos, o que reforça a importância do acompanhamento médico e da atenção aos fatores de risco.
De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), entre 11 mil e 12 mil novos casos de câncer de rim são diagnosticados anualmente no Brasil. A doença pode atingir adultos de diferentes faixas etárias, mas ocorre com maior frequência em pessoas com mais de 60 anos.
Segundo o oncologista clínico Matheus Baptista, da Croma Oncologia, hábitos de vida e condições de saúde têm papel importante no desenvolvimento do câncer renal.
“Tabagismo, obesidade, hipertensão arterial não controlada e sedentarismo estão entre os principais fatores associados à doença. O controle desses fatores pode contribuir para a redução do risco de desenvolvimento do câncer renal”, explica o especialista.
Além dos fatores modificáveis, também estão relacionados ao surgimento da doença aspectos como envelhecimento, sexo, doença renal crônica e predisposição genética.
Doença costuma ser descoberta por acaso
Atualmente, cerca de 60% dos diagnósticos ocorrem de forma incidental, quando exames de imagem identificam alterações renais antes mesmo do aparecimento de sintomas.
Quando os sinais se manifestam, geralmente a doença já se encontra em estágio mais avançado. Entre os sintomas mais frequentes estão sangue na urina, dores na região lombar ou abdominal, perda de peso sem explicação aparente e fadiga persistente.
A chamada tríade clássica do câncer renal — sangue na urina, dor no flanco e massa abdominal palpável — tornou-se rara e costuma estar associada a casos mais avançados.
Exames de imagem são fundamentais
O diagnóstico do câncer de rim é realizado principalmente por exames de imagem. A ultrassonografia costuma ser a porta de entrada para a identificação de alterações suspeitas, enquanto a tomografia computadorizada com contraste é considerada o principal exame para avaliar as características da lesão e a extensão da doença.
Em situações específicas, a ressonância magnética pode ser utilizada como alternativa, especialmente para pacientes com restrições ao uso de contraste ou quando há necessidade de avaliar o comprometimento de vasos sanguíneos.
Já a biópsia é indicada apenas em casos selecionados, uma vez que os exames de imagem costumam fornecer informações suficientes para definir a estratégia terapêutica.
Avanços ampliam perspectivas de tratamento
Nos últimos anos, os tratamentos para o câncer de rim avançado evoluíram significativamente. Novas combinações entre imunoterapia e terapias-alvo têm proporcionado melhores resultados no controle da doença e aumento da sobrevida dos pacientes.
Segundo o especialista, aproximadamente 70% dos casos são diagnosticados em estágio localizado, situação em que a cirurgia continua sendo a principal alternativa com potencial curativo.
“Hoje conseguimos tratar o câncer de rim de forma mais eficaz em diferentes estágios da doença. Em casos localizados, a cirurgia segue com potencial curativo, com sobrevida em cinco anos superior a 90%. Nas situações avançadas, as terapias sistêmicas trouxeram uma nova perspectiva de controle prolongado da doença e melhora na qualidade de vida”, destaca Matheus Baptista.
Conscientização pode salvar vidas
Embora a maior parte dos pacientes receba o diagnóstico ainda em fases iniciais, cerca de 10% já apresentam metástases no momento da descoberta da doença. Além disso, parte dos pacientes inicialmente tratados pode desenvolver a forma avançada posteriormente.
Por isso, especialistas reforçam que a adoção de hábitos saudáveis, o controle de doenças crônicas e a realização de acompanhamento médico regular são medidas essenciais para favorecer o diagnóstico precoce e ampliar as chances de sucesso no tratamento.
Neste Dia Mundial do Câncer de Rim, o alerta é claro: conhecer os fatores de risco e buscar orientação médica diante de qualquer alteração pode fazer a diferença no combate à doença.

