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Lula chega à França para cúpula do G7 e governo avalia possível encontro com Trump

Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Redação Plenax – Flavia Andrade

Presidente brasileiro participa de reuniões bilaterais e deve defender diálogo comercial diante de novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou nesta segunda-feira (15) em Évian-les-Bains, na França, onde participará da reunião de líderes do G7, marcada para terça-feira (16). Embora o Brasil não integre oficialmente o grupo das maiores economias industrializadas do mundo, Lula foi convidado para participar das discussões e terá uma série de encontros bilaterais durante o evento.

Nos bastidores, o governo brasileiro trabalha com a possibilidade de uma reunião entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Até o momento, porém, não existe agenda oficial confirmada entre os dois líderes.

Governo mantém expectativa de encontro

A chegada antecipada de Lula à França faz parte da estratégia do Palácio do Planalto para garantir a participação do presidente desde o início da programação. A preocupação do governo era evitar a repetição do que ocorreu em edições anteriores do G7, quando Trump participou apenas da abertura dos trabalhos.

Apesar da expectativa, nem o governo brasileiro nem a Casa Branca formalizaram pedidos de reunião bilateral. Ainda assim, interlocutores diplomáticos avaliam que um encontro pode ocorrer de forma espontânea durante a cúpula.

O tema ganha relevância em meio às recentes medidas comerciais anunciadas pelos Estados Unidos, que podem ampliar as tarifas incidentes sobre produtos brasileiros.

Tarifas e comércio estarão no centro das discussões

Segundo integrantes do governo federal, parte das medidas tarifárias anunciadas por Washington ainda pode ser revista por meio de negociações diplomáticas.

Entre as preocupações brasileiras está a proposta de uma tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos nacionais, medida justificada pelos Estados Unidos com base em alegações de práticas comerciais consideradas desleais.

Outra sobretaxa, de 12,5%, relacionada a questionamentos sobre ações de combate ao trabalho forçado, é vista por integrantes do governo brasileiro como mais difícil de ser revertida.

Agenda inclui líderes mundiais

Além das atividades da cúpula, Lula terá uma série de reuniões bilaterais com chefes de Estado e autoridades internacionais.

Entre os compromissos previstos estão encontros com o presidente da França, Emmanuel Macron, com o secretário-geral da Interpol, Valdecy Urquiza, e com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi.

O presidente brasileiro também deverá se reunir com o líder egípcio Abdel Fattah el-Sisi e buscar conversas com representantes da Alemanha, Canadá, Itália e Reino Unido.

Defesa do multilateralismo e debate sobre IA

Durante sua participação no G7, Lula deverá reforçar a defesa do multilateralismo e do fortalecimento de organismos internacionais responsáveis por mediar disputas comerciais, como a Organização Mundial do Comércio (OMC).

A expectativa é que o presidente brasileiro faça críticas ao aumento de medidas protecionistas adotadas por diferentes países, sem direcionar ataques diretos aos Estados Unidos.

Outro tema relevante da programação será o debate sobre inteligência artificial. Em um almoço dedicado ao assunto, Lula deverá destacar que o Brasil busca equilibrar inovação tecnológica, segurança jurídica e respeito à legislação nacional.

A posição brasileira ocorre em meio a críticas apresentadas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que cita decisões do Judiciário brasileiro envolvendo plataformas digitais americanas como um dos argumentos para justificar medidas comerciais contra o país.

Brasil amplia protagonismo internacional

Mesmo sem integrar o G7, o Brasil tem participado regularmente das reuniões do grupo desde 2023. A presença de Lula no encontro reforça o protagonismo da diplomacia brasileira em temas ligados à economia global, tecnologia, comércio internacional e governança multilateral.

A expectativa do governo é aproveitar a cúpula para ampliar o diálogo com parceiros estratégicos e buscar avanços em pautas comerciais e diplomáticas de interesse nacional.

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