Redação Plenax – Flavia Andrade
A combinação entre Copa do Mundo e eleições em 2026 promete transformar o cenário da comunicação e da publicidade no Brasil. Com dois dos maiores eventos de mobilização de audiência acontecendo no mesmo ano, marcas e agências terão de lidar com uma disputa ainda mais intensa pela atenção do público em um ambiente marcado pela velocidade da informação e pela fragmentação das plataformas digitais.
Segundo Caroline Ferrari, diretora de Novos Negócios Corporativos da Octopus, o momento exige das empresas capacidade de adaptação, leitura de contexto e respostas rápidas para manter relevância diante de um consumidor cada vez mais conectado e exposto a múltiplos estímulos.
“Hoje, as marcas disputam atenção em um ambiente extremamente dinâmico. Um debate político, uma partida decisiva ou até mesmo um conteúdo viral podem mudar completamente as conversas nas redes sociais em poucos minutos. Por isso, além de estratégia, é preciso ter flexibilidade para reagir em tempo real”, afirma.
Os números ajudam a dimensionar o desafio. A convocação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 2026 alcançou 96 milhões de pessoas em apenas uma semana e gerou mais de 848 mil publicações nas redes sociais. Na televisão, o anúncio reuniu 34,6 milhões de telespectadores, registrando uma das maiores audiências do século para a TV aberta.
A expectativa em torno do torneio também é elevada. Pesquisa da Ipsos mostra que 71% dos brasileiros pretendem acompanhar a competição, percentual superior à média global. Paralelamente, o ambiente eleitoral tende a aquecer ainda mais o mercado publicitário. Dados da Kantar IBOPE Media indicam que os investimentos em publicidade cresceram 10% em 2024, ano de eleições municipais, alcançando R$ 88 bilhões, o maior avanço registrado nos últimos cinco anos.
Para Caroline Ferrari, eventos de grande mobilização coletiva costumam despertar comportamentos mais emocionais e imediatistas, exigindo das marcas uma comunicação mais conectada ao contexto social e cultural. Segundo ela, o público espera posicionamentos autênticos e conteúdos que dialoguem diretamente com as conversas em curso.
Outro fator decisivo é o uso de dados para orientar estratégias em tempo real. Com a audiência distribuída entre televisão, redes sociais, plataformas de vídeo e serviços de streaming, o monitoramento constante do comportamento do consumidor se torna fundamental para ajustar campanhas e maximizar resultados.
Na avaliação da executiva, três ações são essenciais para as marcas que desejam se destacar em 2026. A primeira é planejar previamente conteúdos relacionados aos momentos de maior atenção do calendário, como jogos da Seleção Brasileira e debates eleitorais, mantendo margem para adaptações rápidas. A segunda é diversificar a presença nos canais mais relevantes para cada público, equilibrando investimentos entre mídia tradicional e plataformas digitais. Por fim, o acompanhamento contínuo de indicadores de engajamento e percepção permite corrigir estratégias ao longo das campanhas e manter a conexão com os consumidores.
Diante de um cenário de alta competitividade e excesso de informação, a capacidade de unir criatividade, análise de dados e agilidade operacional tende a ser um dos principais diferenciais para marcas e agências ao longo de 2026.

