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Estudo apresentado na ASCO aponta que terapia-alvo quase dobra sobrevida de pacientes com câncer de pâncreas avançado

Foto: Divulgação

Redação Plenax – Flavia Andrade

Medicamento reduziu em 60% o risco de morte e é considerado um dos avanços mais promissores para o tratamento da doença nos últimos anos

Um estudo apresentado neste domingo (31) durante o congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), em Chicago, nos Estados Unidos, trouxe resultados animadores para pacientes com câncer de pâncreas metastático, um dos tipos mais agressivos e letais da doença.

A pesquisa de fase 3 RASolute 302 demonstrou que a terapia-alvo daraxonrasibe foi capaz de reduzir em 60% o risco de morte e praticamente dobrar a sobrevida global de pacientes com adenocarcinoma ductal pancreático metastático quando comparada à quimioterapia convencional.

Considerado o maior evento mundial da oncologia, o congresso da ASCO reúne cerca de 45 mil profissionais de saúde, pesquisadores e especialistas de diversos países para apresentação dos principais avanços científicos na área.

Sobrevida quase dobra com novo tratamento

O estudo avaliou 500 pacientes previamente tratados para câncer de pâncreas metastático. Desses, 248 receberam o medicamento daraxonrasibe, enquanto outros 252 foram submetidos ao tratamento padrão com quimioterapia.

Os resultados mostraram que os pacientes tratados com a terapia-alvo alcançaram sobrevida global média de 13,2 meses. No grupo da quimioterapia, a média foi de 6,7 meses.

A pesquisa também apontou melhora significativa na sobrevida livre de progressão da doença. Os pacientes que utilizaram o novo medicamento permaneceram, em média, 7,3 meses sem avanço do câncer, contra 3,5 meses observados entre aqueles que receberam quimioterapia.

Avanço pode mudar cenário da doença

Especialistas destacam que o câncer de pâncreas continua sendo um dos maiores desafios da oncologia devido à rápida disseminação e à dificuldade de diagnóstico precoce, já que os sintomas costumam surgir apenas em fases avançadas da doença.

Para a oncologista especializada em tumores do trato gastrointestinal Maria Ignez Braghiroli, da Oncologia D’Or, os resultados representam um marco na busca por tratamentos mais eficazes.

“É um avanço muito importante na terapia molecular e pode abrir caminho para o desenvolvimento de novos medicamentos com mecanismos semelhantes. Trata-se de um resultado expressivo após anos de pesquisas e tentativas de melhorar o tratamento do adenocarcinoma de pâncreas”, afirmou.

Como funciona o daraxonrasibe

O câncer de pâncreas apresenta forte relação com alterações na proteína RAS, responsável pela transmissão de sinais que controlam o crescimento celular. Mais de 90% dos pacientes possuem tumores associados a mutações nessa proteína, considerada uma das principais responsáveis pela agressividade da doença.

O daraxonrasibe é um medicamento oral de uso diário que atua bloqueando a via RAS, interrompendo sinais que favorecem o crescimento e a multiplicação das células cancerígenas.

Os resultados do estudo foram publicados simultaneamente na revista científica The Lancet, uma das publicações médicas mais respeitadas do mundo.

Câncer de pâncreas registra mais de 13 mil mortes por ano no Brasil

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a estimativa é de 13.240 novos casos de câncer de pâncreas no Brasil em 2026.

A doença ocupa a nona posição entre os tumores mais frequentes no país, excluindo os casos de câncer de pele não melanoma. Em 2023, foram registrados 13.507 óbitos relacionados ao câncer de pâncreas.

Entre os principais fatores de risco estão o envelhecimento, obesidade, tabagismo, consumo excessivo de álcool, diabetes e histórico de pancreatite.

O avanço apresentado na ASCO 2026 é visto pela comunidade científica como uma das descobertas mais relevantes dos últimos anos para pacientes com câncer de pâncreas avançado, uma condição que historicamente apresenta poucas opções terapêuticas eficazes.

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