Redação Plenax – Flavia Andrade
Integração entre equipes amplia vigilância sobre pacientes internados e acelera identificação de riscos ligados ao uso de cateteres
O Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB) implementou um novo modelo de vigilância para fortalecer o controle de infecções relacionadas à assistência à saúde (Iras), ampliando a atuação conjunta entre as equipes de enfermagem e o Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH).
A medida busca garantir respostas mais rápidas na identificação de sinais de infecção em crianças internadas, especialmente pacientes com quadros mais complexos e imunossuprimidos.
No HCB, as infecções mais monitoradas incluem casos de corrente sanguínea, pneumonia associada à ventilação mecânica e infecções urinárias. Entre elas, as infecções primárias da corrente sanguínea (IPCS) são as mais frequentes devido ao uso constante de cateteres e à complexidade dos acessos venosos.
Monitoramento periódico amplia segurança dos pacientes
Com o novo protocolo, pacientes internados passam por visitas periódicas realizadas conjuntamente pelas equipes do SCIH e da enfermagem.
Durante as avaliações, profissionais analisam sinais como:
vermelhidão;
presença de sangue;
alterações na fluidez do cateter;
possíveis indícios de processos infecciosos.
Segundo a enfermeira Lorena Borges, gerente da Linha de Cuidado do Paciente Onco-hematológico do HCB, o acompanhamento mais próximo permite ações preventivas mais rápidas.
“Podemos ver os sinais precocemente e agir precocemente para evitar a infecção”, destacou.
Hospital aposta em tecnologia para rastrear casos
Além da ampliação das equipes envolvidas, o hospital também passou a utilizar a plataforma RedCap para registrar todas as visitas e monitoramentos realizados nos pacientes.
O sistema cria um histórico individualizado, permitindo rastrear informações e analisar possíveis causas em casos de infecção.
De acordo com o infectologista Bruno Lima, gerente do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar, o novo processo trouxe mais integração entre os profissionais e melhorou a capacidade de resposta do hospital.
“Tínhamos dificuldade em cobrir alguns turnos e discutir condutas entre as equipes. Agora conseguimos rastrear todas as informações nominalmente”, afirmou.
Projeto-piloto alcançou toda a internação do HCB
O novo modelo começou a ser aplicado em 2025 como projeto-piloto e foi expandido para todas as alas de internação em janeiro deste ano.
Segundo o hospital, a taxa de conformidade do protocolo já alcança 96% durante as diferentes etapas de implementação.
A expectativa da unidade é consolidar os resultados positivos ainda no primeiro semestre, fortalecendo a segurança e a qualidade da assistência oferecida às crianças atendidas no Distrito Federal.

