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Fazenda estuda criar fundo garantidor para renegociação de dívidas do agronegócio

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Redação Plenax – Flavia Andrade

A equipe econômica do governo federal estuda a criação de um Fundo Garantidor voltado ao agronegócio diante do avanço das perdas provocadas por eventos climáticos extremos e do aumento do endividamento rural no país.

A proposta foi confirmada nesta quarta-feira (20) pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, após reunião com senadores, deputados e representantes do setor agropecuário para discutir um projeto de renegociação das dívidas rurais.

“A ideia é que nos próximos dias a gente tenha um texto final”, afirmou o ministro durante coletiva no Ministério da Fazenda.

Fundo deve reunir governo, bancos e produtores

Segundo Durigan, o modelo em discussão prevê participação financeira do governo federal, das instituições bancárias e também dos produtores rurais, em menor escala.

A proposta segue lógica semelhante ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), utilizado no sistema financeiro para cobrir parte dos prejuízos em casos de quebra de instituições financeiras. A principal diferença seria justamente a presença de recursos públicos na composição do novo fundo.

Projeto prevê prazo maior e carência para produtores

O fundo integra um pacote mais amplo de medidas para financiamento e renegociação das dívidas do setor rural. O texto em discussão prevê a criação de uma linha especial de crédito utilizando recursos do Fundo Social do Pré-Sal e de outros fundos supervisionados pelo Ministério da Fazenda.

Entre os principais pontos negociados estão:

  • prazo de até 10 anos para pagamento das dívidas;
  • carência de dois anos para início da quitação;
  • condições diferenciadas para produtores afetados por perdas climáticas.

Inicialmente, o governo defendia carência de apenas um ano e prazo máximo de seis anos para pagamento, mas houve flexibilização após negociação com parlamentares.

Critérios devem limitar acesso ao programa

A equipe econômica quer estabelecer critérios específicos para acesso à renegociação, priorizando produtores que comprovem perdas efetivas causadas por seca, enchentes ou crises econômicas.

“O debate agora é sobre os melhores critérios de enquadramento. Um dos critérios da Fazenda é que seja identificada perda real por parte do agricultor”, explicou Durigan.

O relator do projeto no Senado, o senador Renan Calheiros, afirmou que o endividamento rural deixou de ser um problema pontual e passou a representar uma questão estrutural para o agronegócio brasileiro.

“Precisamos preservar a produção, o abastecimento e os empregos do setor”, declarou.

A senadora Tereza Cristina também participou das negociações sobre o texto.

Eventos climáticos pressionam setor rural

O avanço das discussões ocorre em meio aos impactos de secas prolongadas, enchentes e oscilações climáticas severas que atingiram diferentes regiões produtoras nos últimos anos.

Parlamentares da bancada ruralista defendem que as sucessivas quebras de safra comprometeram a capacidade de pagamento de financiamentos contratados anteriormente pelos produtores.

O fundo garantidor é tratado pelo governo e pelo Congresso como uma tentativa de criar um mecanismo permanente de proteção financeira para o setor diante da intensificação dos riscos climáticos.

Impacto fiscal gera preocupação

Apesar do apoio político ao projeto, a proposta ainda enfrenta resistência dentro da equipe econômica devido ao possível impacto nas contas públicas.

Estimativas em discussão no Congresso apontam que o volume de dívidas rurais envolvidas pode chegar a aproximadamente R$ 180 bilhões. Entre as fontes de recursos avaliadas estão até R$ 30 bilhões do Fundo Social do Pré-Sal.

A votação do projeto na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado acabou adiada após pedido do Ministério da Fazenda, que solicitou mais tempo para discutir pontos considerados sensíveis do texto.

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