Redação Plenax – Flavia Andrade
A possível inclusão da tilápia na lista de espécies exóticas invasoras no Brasil acendeu um alerta no setor aquícola nacional. A proposta será analisada no próximo dia 27 de maio pela Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio) e pode provocar forte impacto econômico sobre as exportações brasileiras de pescado.
Levantamento técnico elaborado pela PEIXE BR estima que a medida poderá derrubar em até 90% as exportações nacionais da espécie, gerando perdas superiores a US$ 38 milhões somente na cadeia produtiva da tilápia.
A principal preocupação do setor está relacionada à interpretação internacional da medida. Segundo a associação, o enquadramento da tilápia como espécie invasora poderia ser visto pelos mercados externos como um reconhecimento oficial de risco ambiental por parte do próprio governo brasileiro.
Atualmente, cerca de 85% das exportações brasileiras de tilápia têm como destino os Estados Unidos, principal comprador do produto nacional. O mercado movimenta aproximadamente US$ 35 milhões por ano.
O presidente da PEIXE BR, Francisco Medeiros, afirma que o setor teme a repetição de casos internacionais semelhantes.
“Em 2010, os Estados Unidos classificaram a carpa asiática como espécie invasora. As exportações chinesas da espécie despencaram cerca de 97% em apenas um ano e o mercado nunca mais se recuperou”, destacou.
Com base nesse precedente, a análise técnica projeta um possível efeito cascata sobre toda a aquicultura brasileira, com impacto estimado em até US$ 64 milhões anuais para o setor pesqueiro exportador.
Além da tilápia, espécies nativas como tambaqui e pintado também poderiam sofrer reflexos indiretos, diante do aumento de auditorias internacionais, exigências ambientais mais rígidas e possíveis desgastes à imagem da aquicultura brasileira no exterior.
Outro ponto de preocupação envolve certificações internacionais importantes para o setor, como Best Aquaculture Practices (BAP), Aquaculture Stewardship Council (ASC) e Global G.A.P., que adotam critérios rigorosos ligados à gestão ambiental e controle de espécies.
O setor produtivo argumenta que a decisão poderá afetar investimentos, competitividade internacional e a expansão da aquicultura brasileira, considerada uma das atividades com maior potencial de crescimento no agronegócio nacional.

