Redação Plenax – Flavia Andrade
Relatório sindical aponta comida estragada, atrasos de pagamento, revistas abusivas e assédio em produção de “Dark Horse”
O filme “Dark Horse”, produção inspirada na campanha presidencial de 2018 do ex-presidente Jair Bolsonaro, virou alvo de denúncias envolvendo condições precárias de trabalho durante as gravações em São Paulo.
Segundo relatório do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões de São Paulo, obtido pelo portal g1, figurantes e técnicos relataram problemas como alimentação insuficiente, comida estragada, atrasos salariais, assédio moral e revistas consideradas abusivas nos sets de filmagem do longa.
As denúncias surgem em meio à repercussão sobre o suposto aporte de R$ 61 milhões atribuído ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar a produção.
O relatório sindical reúne 15 ocorrências formais registradas por trabalhadores ligados à produção da obra, dirigida por Cyrus Nowrasteh.
Entre os relatos, figurantes afirmam que havia diferença no tratamento dado ao elenco estrangeiro e aos profissionais brasileiros. Enquanto integrantes principais da produção tinham acesso a refeições completas em sistema self-service, figurantes recebiam apenas kits com pão, fruta, doce e suco durante jornadas superiores a oito horas.
O documento também menciona denúncias de fornecimento de alimentos estragados em outubro de 2025, além de pagamentos atrasados, cachês abaixo do padrão de mercado e contratação informal de trabalhadores por grupos de WhatsApp.
Segundo os relatos, alguns figurantes precisavam pagar pelo transporte até os locais de gravação, com cobrança de R$ 10 descontados diretamente do cachê.
As denúncias incluem ainda episódios de assédio moral e um suposto caso de agressão física dentro do set. Um figurante relatou ao sindicato ter registrado boletim de ocorrência e realizado exame de corpo de delito.
Outro ponto apontado no relatório envolve revistas pessoais consideradas invasivas. Trabalhadores afirmam que seguranças realizavam abordagens com toques em partes íntimas durante o acesso às locações.
O sindicato também questiona a utilização de profissionais estrangeiros sem recolhimento de taxas previstas na legislação trabalhista do setor audiovisual brasileiro.
Procurada pelo g1, a GOUP Entertainment não respondeu aos questionamentos sobre as denúncias.
Já na quinta-feira, a empresa divulgou nota negando ter recebido recursos de Daniel Vorcaro ou de empresas ligadas ao banqueiro.
“A GOUP Entertainment afirma categoricamente que não consta um único centavo proveniente do sr. Daniel Vorcaro”, informou a produtora.
O caso ganhou repercussão após reportagem do Intercept Brasil divulgar mensagens atribuídas ao senador Flávio Bolsonaro e ao banqueiro Daniel Vorcaro sobre o financiamento do longa.
Segundo a publicação, Flávio teria demonstrado preocupação com atrasos nos pagamentos da equipe e pedido apoio financeiro para evitar impactos negativos na produção.
Em uma das mensagens divulgadas, o senador afirmou que o projeto vivia um “momento decisivo” e que a equipe estava “no limite”.
Questionado posteriormente, Flávio Bolsonaro confirmou ter buscado apoio financeiro privado para o filme, mas negou qualquer irregularidade.
Com orçamento milionário, “Dark Horse” chamou atenção do mercado audiovisual por movimentar valores superiores aos de produções brasileiras recentes de grande repercussão internacional.
O longa recebeu valor superior ao orçamento de O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho e estrelado por Wagner Moura, indicado ao Oscar de 2026.
O elenco de “Dark Horse” inclui nomes como Jim Caviezel, conhecido por interpretar Jesus em A Paixão de Cristo, além de Esai Morales, Lynn Collins e Camille Guaty, que interpreta Michelle Bolsonaro no longa.
*Com informações do G1

