Posted in

Especialistas alertam para sinais silenciosos de doenças intestinais e reforçam importância do diagnóstico precoce

Foto: Divulgação

Redação Plenax – Flavia Andrade

Diarreia persistente, sangue nas fezes e dores abdominais recorrentes podem ser sinais de doenças inflamatórias intestinais que, quando não diagnosticadas precocemente, comprometem significativamente a qualidade de vida dos pacientes. O alerta é reforçado por especialistas do Hospital Universitário da Universidade Federal de Sergipe durante a campanha Maio Roxo, dedicada à conscientização sobre a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa.

As doenças inflamatórias intestinais, conhecidas como DII, costumam atingir principalmente pessoas jovens, mas podem surgir em qualquer faixa etária. Segundo o gastroenterologista Marcel Andrade, além da diarreia e da dor abdominal, sintomas como fadiga, anemia, perda de peso e urgência para evacuar também merecem atenção.

Em alguns casos, as manifestações vão além do intestino e podem incluir dores articulares, lesões na pele e inflamações oculares.

O diagnóstico é feito por meio de avaliação clínica, exames laboratoriais, exames de imagem e colonoscopia com biópsia, considerada fundamental para identificar o tipo da doença e o grau de inflamação intestinal.

“As doenças inflamatórias intestinais são condições crônicas, que exigem monitoramento regular e tratamento individualizado. O objetivo é controlar a inflamação, aliviar os sintomas, prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida”, explicou Marcel Andrade.

Segundo o especialista, os avanços da medicina mudaram significativamente o prognóstico dos pacientes, principalmente com o uso de imunossupressores e terapias biológicas.

Outro ponto destacado pelos médicos é a importância da alimentação equilibrada no controle dos sintomas. Embora não exista uma dieta capaz de curar as doenças inflamatórias intestinais, evitar alimentos ultraprocessados, excesso de gordura e cigarro pode contribuir para uma melhor evolução clínica, especialmente nos casos de Doença de Crohn.

A coloproctologista Ana Carolina Lisboa destacou que o Ambulatório de Doenças Inflamatórias do HU-UFS acompanha pacientes há cerca de 20 anos e vem registrando aumento dos casos entre crianças e adolescentes.

“Essas doenças trazem um impacto negativo substancial na vida das pessoas, tanto do ponto de vista nutricional quanto psicológico”, afirmou.

Segundo ela, pacientes com Doença de Crohn frequentemente apresentam anemia, dores abdominais crônicas e alterações intestinais, enquanto a retocolite costuma provocar diarreia intensa, sangramentos e secreções.

A médica reforçou ainda a importância do acompanhamento multidisciplinar envolvendo psicólogos, nutricionistas, fisioterapeutas e educadores físicos, já que as doenças podem afetar diversos aspectos da vida do paciente.

No HU-UFS, o tratamento é custeado pelo Governo Federal e inclui o uso de imunobiológicos, medicamentos modernos que atuam diretamente no controle da inflamação intestinal.

Durante a campanha Maio Roxo, os especialistas também chamam atenção para o preconceito e a desinformação que ainda cercam as doenças inflamatórias intestinais, o que muitas vezes contribui para atrasos no diagnóstico.

A orientação é que pessoas com sintomas persistentes procurem atendimento médico especializado o quanto antes, aumentando as chances de controle da doença e de preservação da qualidade de vida.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

error

Enjoy this blog? Please spread the word :)