Redação Plenax
Ministro afirma que governo Lula não aceitará adiamento da redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, defendeu nesta terça-feira (12) uma implementação rápida do fim da escala 6×1 no Brasil e afirmou que o governo federal não aceitará uma transição longa para adoção das novas regras trabalhistas.
A declaração foi feita durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, produzido pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) e pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
“Quando é uma medida para beneficiar o trabalhador, vai valer daqui a um ano, daqui a dois, daqui a cinco. Que critério é esse? Então, a gente não aceita uma transição dessa natureza”, afirmou o ministro.
Governo quer jornada de 40 horas sem redução salarial
Durante a entrevista, Boulos reforçou que a proposta defendida pelo Governo Federal do Brasil prevê a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, com garantia de dois dias de descanso remunerado e sem redução salarial.
Segundo o ministro, o governo busca evitar que a proposta seja alterada no Congresso de forma que mantenha a mesma carga horária semanal distribuída em menos dias.
“Tem que reduzir a jornada diária para, no máximo, 40 horas. E também sem redução de salário”, declarou.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou em abril uma mensagem presidencial encaminhando ao Congresso Nacional, com urgência constitucional, o projeto de lei que trata da mudança na jornada de trabalho.
Comissão da Câmara debate proposta nesta quarta-feira
Boulos confirmou participação, ao lado do ministro da Fazenda, Dario Durigan, em audiência pública da Comissão Especial da Câmara dos Deputados marcada para esta quarta-feira (13), que discutirá a Proposta de Emenda à Constituição relacionada ao fim da escala 6×1.
A proposta vem sendo debatida entre parlamentares, representantes do setor produtivo e especialistas em relações trabalhistas.
Ministro rebate críticas sobre impacto econômico
Durante a entrevista, o ministro também rebateu argumentos de que a redução da jornada poderia afetar a produtividade das empresas.
Segundo ele, jornadas excessivas têm provocado aumento de afastamentos por questões de saúde mental, além de queda de rendimento no ambiente de trabalho.
“Você tem um trabalhador que não tem tempo nem para ficar com seus filhos, para descansar, para respirar. Ele vai produzir menos, vai errar mais e ter mais acidentes de trabalho”, afirmou.
Boulos citou ainda o crescimento de casos de burnout, ansiedade e depressão entre trabalhadores brasileiros.
Governo lança campanha sobre redução da jornada
O governo federal também lançou a campanha “Mais tempo para viver. Sem perder salário. Porque tempo não é um benefício. É um direito”.
A ação será veiculada em televisão, rádio, internet, jornais e cinemas, com foco na defesa da redução da jornada e ampliação do tempo de convivência familiar e descanso dos trabalhadores.

