Redação Plenax – Flavia Andrade
O ministro do Ministério do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, voltou a defender o fim da escala 6×1 durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, nesta quinta-feira (30).
Segundo ele, a proposta do governo prevê redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem corte salarial, garantindo duas folgas por semana e maior qualidade de vida aos trabalhadores.
Ministro cita saúde mental e acidentes de trabalho
Durante a entrevista, Marinho afirmou que jornadas extensas têm ampliado casos de adoecimento profissional, especialmente transtornos mentais, além de acidentes e faltas no trabalho.
De acordo com o ministro, a mudança seria uma forma de corrigir um modelo considerado desgastante.
Governo aposta em produtividade maior
Marinho argumentou que a redução da jornada pode beneficiar também a economia, ao diminuir o absenteísmo e elevar a produtividade das empresas.
Segundo ele, companhias que já migraram espontaneamente do modelo 6×1 para o 5×2 relatam resultados positivos.
Projeto já está no Congresso Nacional
O debate ganhou força às vésperas do Dia do Trabalhador, após o envio de projeto de lei pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Congresso Nacional com urgência constitucional.
Na Câmara dos Deputados, propostas relacionadas ao tema já avançaram na Comissão de Constituição e Justiça e seguem em tramitação.
Trabalho aos fins de semana continuaria permitido
O ministro esclareceu que o governo não propõe o fim do trabalho aos sábados, domingos ou em atividades contínuas.
Segundo ele, setores que exigem funcionamento diário poderão manter operações por meio de negociação coletiva entre sindicatos patronais e de trabalhadores.
As folgas, segundo explicou, poderiam ser consecutivas ou não, dependendo do formato aprovado pelo Congresso.
Juventude rejeita escala atual, diz ministro
Marinho também afirmou que a escala 6×1 tem dificultado o preenchimento de vagas abertas, especialmente entre jovens que buscam mais tempo para estudo, família e qualificação profissional.
Ele citou casos de processos seletivos em que candidatos recusaram vagas devido ao regime de apenas uma folga semanal.
Aplicativos seguem sem regulamentação
Outro tema abordado foi o trabalho por aplicativos. Segundo o ministro, ainda não houve consenso no Congresso sobre o relatório apresentado pelo governo.
Entre as propostas defendidas estão:
- remuneração mínima de R$ 10 por entrega;
- pagamento de R$ 2,50 por quilômetro rodado;
- fim da chamada subpraça;
- ampliação de garantias trabalhistas.
As medidas ainda dependem de aprovação legislativa.

