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UEMS certifica número recorde de migrantes internacionais e consolida MS como referência em acolhimento educacional

Foto: Divulgação

Redação Plenax – Flavia Andrade

Mato Grosso do Sul registrou, em 2025, a maior conclusão de cursos para migrantes internacionais da história da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS). Por meio do programa de extensão UEMS Acolhe, a instituição entregou 575 certificados ao longo do ano, sendo 329 somente no segundo semestre, em formaturas realizadas em oito municípios e 14 polos de ensino.

Os concluintes participaram principalmente do curso de Português como Língua de Acolhimento (PLAC), além de outras ações educativas voltadas ao acolhimento linguístico, humanitário e social. As cerimônias ocorreram entre os dias 3 e 17 de dezembro e reuniram estudantes em Campo Grande (91), Dourados (124), Cassilândia (11), Naviraí (37), Nova Andradina (12), Corumbá (33) e Sidrolândia (21).

Coordenador do programa, o professor doutor João Fabio Sanches ressaltou que o UEMS Acolhe já atendeu mais de cinco mil migrantes desde sua criação, em 2017, e se consolidou como referência nacional na área. Em 2025, o programa contou com o apoio de 237 colaboradores voluntários, que atuaram no ensino, na mediação cultural e no suporte comunitário, inclusive em ações binacionais realizadas na Bolívia.

“Essas formaturas simbolizam a força da educação como instrumento de dignidade, autonomia e reconstrução de vidas. Em um cenário de aumento dos fluxos migratórios no país, Mato Grosso do Sul se destaca por manter políticas públicas de acolhimento que unem universidade, comunidade e instituições parceiras. Em 2026, seguiremos com novas turmas para migrantes recém-chegados ou que desejem aprimorar seus conhecimentos da língua”, afirmou Sanches.

A pró-reitora de Extensão, Cultura e Assuntos Comunitários, Erika Kaneta Ferri, destacou que o UEMS Acolhe vai além do ensino do português. O programa oferece oficinas e ações de extensão voltadas ao acesso à educação, saúde, assistência social, orientação para educação continuada e um edital específico para ingresso de refugiados e imigrantes em vagas remanescentes e sobrevagas nos cursos de graduação da UEMS.

“Estamos fortalecendo parcerias para ampliar o atendimento a migrantes internacionais em situação de vulnerabilidade social. Nosso compromisso é seguir oferecendo dignidade, respeito e valorização da diversidade étnica e cultural”, declarou.

Entre as histórias de superação, a colombiana Claudia Cecília Arango Zuleta, aluna em Corumbá, contou que chegou ao Brasil sem falar português após conquistar bolsa de estudos na UFMS. “O curso foi fundamental para que eu pudesse continuar estudando. Hoje devo muito ao UEMS Acolhe”, relatou.

Já a venezuelana Julisxa Salazar, que vive em Campo Grande desde 2023, destacou o impacto do curso na vida profissional. “Comecei a trabalhar sem falar o idioma. Com as aulas, adquiri fluência e hoje consigo atender clientes com segurança. Foi um grande diferencial”, afirmou.

Reconhecimento nacional

Em 2024, o UEMS Acolhe passou a integrar o programa de apoio à regularização migratória, auxiliando migrantes junto à Polícia Federal na obtenção ou renovação do Registro Nacional Migratório (RNM) e do CPF, considerados alguns dos principais desafios enfrentados por esse público ao chegar ao Brasil.

O programa também recebeu menção de boas práticas do Tribunal de Contas da União (TCU), em relatório nacional sobre ações voltadas a pessoas refugiadas no país, reforçando o protagonismo da UEMS e de Mato Grosso do Sul nas políticas de acolhimento e inclusão social.

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