Redação Plenax
Dispositivos de monitoramento transformam rotina de pacientes, reduzem idas ao hospital e fortalecem o cuidado preventivo
O avanço da tecnologia em saúde tem desempenhado papel estratégico na melhoria da qualidade de vida de pacientes oncológicos. Dados do Sistema Único de Saúde indicam crescimento de 284% nos casos de câncer entre 2013 e 2024 em pessoas de 18 a 50 anos, cenário que impõe à saúde pública e suplementar o desafio de aprimorar práticas assistenciais e ampliar o cuidado domiciliar.
Nesse contexto, aparelhos de medição deixam de ser meros instrumentos de coleta de dados e passam a integrar uma abordagem centrada no bem-estar, autonomia e monitoramento preventivo. Para Pedro Henrique, diretor de marketing e produto da G-TECH, o diferencial está na transformação desses dispositivos em aliados terapêuticos. “O objetivo é que o paciente se sinta no controle de sua saúde, e não refém do diagnóstico”, afirma.
Monitoramento da pressão arterial: prevenção cardiovascular
Diversos quimioterápicos e terapias-alvo podem provocar alterações hemodinâmicas, como a hipertensão induzida por tratamento. O acompanhamento domiciliar da pressão arterial torna-se, portanto, ferramenta preventiva relevante.
Aparelhos de braço: frequentemente considerados padrão-ouro por entidades como a Sociedade Brasileira de Cardiologia, apresentam maior estabilidade na aferição.
Aparelhos de pulso: oferecem praticidade para pacientes com mobilidade reduzida, dor ou presença de cateteres no braço.
A detecção precoce de picos hipertensivos permite ajustes terapêuticos via telemedicina, evitando deslocamentos desnecessários à emergência e reduzindo risco de complicações cardiovasculares.
Termômetro: alerta precoce contra neutropenia febril
Em oncologia, febre é sinal de alerta crítico. A neutropenia febril — caracterizada pela queda significativa de glóbulos brancos associada à febre — demanda intervenção imediata.
Modelos digitais e infravermelhos: os dispositivos infravermelhos de testa ganharam destaque por não exigirem contato físico, característica importante para pacientes imunossuprimidos.
Agilidade e menor estresse: a medição rápida favorece monitoramento frequente sem gerar desconforto adicional.
O controle sistemático da temperatura permite resposta precoce a infecções, fator determinante na redução de complicações.
Oxímetro: monitoramento da função respiratória
Pacientes submetidos a cirurgias torácicas, radioterapia pulmonar ou que apresentam fadiga intensa podem se beneficiar do acompanhamento da saturação de oxigênio.
Diferenciação clínica: o oxímetro auxilia a distinguir fadiga oncológica de hipóxia real, orientando a necessidade de oxigenoterapia.
Impacto emocional: estudos apontam que o automonitoramento da saturação pode aumentar em até 40% a percepção de segurança, reduzindo ansiedade associada à sensação subjetiva de falta de ar.
A presença do dispositivo em casa fortalece a autogestão do cuidado e fornece dados objetivos ao médico assistente.
Umidificadores: conforto com impacto terapêutico
Tratamentos como quimioterapia e radioterapia, especialmente em cabeça e pescoço, frequentemente provocam ressecamento de mucosas.
Prevenção de complicações: manter a umidade ambiente entre 40% e 60% ajuda a reduzir sangramentos nasais, irritações de garganta e desconfortos respiratórios.
Qualidade do sono: ambiente com umidade controlada favorece descanso adequado, fator essencial para regeneração celular e fortalecimento imunológico.
Assim, o umidificador deixa de ser item sazonal e passa a integrar o suporte terapêutico domiciliar.
Tecnologia como extensão do cuidado médico
A incorporação desses dispositivos à rotina cria um diário clínico contínuo, ampliando a precisão do acompanhamento profissional e permitindo intervenções mais assertivas. Ao mesmo tempo, promove autonomia e reduz a sensação de vulnerabilidade frequentemente associada ao tratamento oncológico.
Mais do que medir parâmetros fisiológicos, a tecnologia domiciliar contribui para um cuidado mais humanizado — no qual ciência, conforto e segurança caminham juntos.

