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SUS passa a oferecer teleatendimento para pessoas com problemas com jogos e apostas

Foto: Divulgação

Redação Plenax

Pessoas que enfrentam dificuldades relacionadas a jogos e apostas agora podem contar com teleatendimento em saúde mental pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O novo serviço poderá atender inicialmente até 600 pacientes por mês e será acessado pelo aplicativo Meu SUS Digital, disponível 24 horas por dia. A iniciativa foi anunciada no dia 3 de março, em São Paulo, durante uma simulação de atendimento.

A ação é realizada em parceria com o Hospital Sírio-Libanês e recebeu investimento de R$ 2,5 milhões do Ministério da Saúde. O serviço é voltado para pessoas com 18 anos ou mais, além de familiares e integrantes da rede de apoio.

Como acessar o serviço

O acesso ao teleatendimento é feito diretamente pelo aplicativo Meu SUS Digital. Para utilizar a ferramenta, o usuário deve:

Baixar gratuitamente o aplicativo nas lojas Android, iOS ou acessar a versão web;

Fazer login com a conta gov.br;

Na página inicial, selecionar a opção “Miniapps”;

Clicar em “Problemas com jogos de apostas?”.

Após esse processo, o usuário terá acesso a um autoteste baseado em evidências científicas e validado no Brasil, com perguntas que ajudam a identificar sinais de risco.

Encaminhamento para atendimento

Caso o resultado indique risco moderado ou elevado, o sistema realiza automaticamente o encaminhamento para o teleatendimento. Em situações de menor risco, o aplicativo orienta a procurar a rede presencial da Rede de Atenção Psicossocial, que inclui unidades como os Centros de Atenção Psicossocial e as Unidades Básicas de Saúde (UBS).

O aplicativo também reúne conteúdos informativos sobre sinais de alerta, prevenção e impactos das apostas na saúde mental, além de canais de orientação da Ouvidoria do SUS.

Como funciona o teleatendimento

As consultas são realizadas por videoconferência, com duração média de 45 minutos, dentro de ciclos estruturados que podem incluir até 13 sessões por paciente, individualmente ou em grupo com familiares e rede de apoio.

A equipe de atendimento é multiprofissional, composta por psicólogos e terapeutas ocupacionais, com apoio de médico psiquiatra quando necessário. O modelo inclui ainda telemonitoramento e articulação com serviços locais do SUS, garantindo encaminhamento para atendimento presencial quando indicado.

Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o teleatendimento busca reduzir barreiras de acesso ao cuidado. Muitas pessoas que enfrentam problemas com apostas evitam procurar ajuda presencialmente por vergonha, medo de julgamento ou dificuldade de reconhecer o problema.

Estratégia nacional para enfrentar o problema

O teleatendimento integra uma estratégia mais ampla do governo federal para lidar com o crescimento de comportamentos problemáticos relacionados a apostas, especialmente online. Entre as medidas estão a Plataforma de Autoexclusão Centralizada, que permite bloquear o acesso a sites de apostas autorizados, e o Observatório Saúde Brasil de Apostas, voltado à integração de dados entre as áreas da saúde e da economia.

Em 2025, o SUS registrou 6.157 atendimentos presenciais relacionados a jogos e apostas, número considerado ainda baixo diante da dimensão do problema.

Nos últimos anos, os investimentos federais em saúde mental também cresceram. Entre 2022 e 2025, os recursos passaram de R$ 1,7 bilhão para R$ 2,9 bilhões, e a rede de atenção psicossocial do SUS conta atualmente com mais de 6.200 pontos de atendimento em todo o país, incluindo cerca de 3 mil CAPS.

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