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Psicanalista analisa sofrimento extremo entre adolescentes e defende escuta como caminho essencial

Foto: Divulgação

Redação Plenax

O aumento dos casos de autolesão entre jovens no Brasil tem acendido um alerta entre especialistas. Dados da Fiocruz indicam crescimento médio de 29% ao ano entre 2011 e 2022 na faixa etária de 10 a 24 anos — cenário que evidencia uma crise silenciosa de saúde mental.

É nesse contexto que a psicóloga e doutora em psicanálise Carolina Nassau Ribeiro propõe uma reflexão mais aprofundada sobre o sofrimento adolescente. No livro Suicídio na Adolescência: Uma Abordagem Psicanalítica, a autora defende que o acolhimento e a escuta qualificada são elementos centrais para prevenir comportamentos autodestrutivos.

A obra se distancia de abordagens exclusivamente técnicas ou baseadas em protocolos e foca na dimensão subjetiva do sofrimento. Segundo a autora, compreender o que leva um jovem a enxergar a morte como saída exige tempo, presença e disponibilidade emocional.

“Não se trata de respostas rápidas, mas da capacidade de estar verdadeiramente com o adolescente em crise”, destaca.

A análise se apoia em referências clássicas da psicanálise, como Sigmund Freud e Jacques Lacan, além de dialogar com elementos da cultura contemporânea, como a série 13 Reasons Why, utilizada como paralelo para situações vivenciadas em consultórios e escolas.

Voltado a profissionais da saúde, educadores e familiares, o livro também traz orientações práticas para quem convive com adolescentes em sofrimento. Entre elas, a importância de reduzir julgamentos, sustentar a escuta e reconhecer sinais de alerta.

A trajetória de Carolina inclui atuação no setor público, com adolescentes em conflito com a lei, e no atendimento a casos graves, como tentativas de autoextermínio em unidades de referência.

Diante de um cenário marcado por pressão social, hiperconectividade e solidão, a autora reforça que o cuidado com a saúde mental dos jovens passa, прежде de tudo, pela construção de espaços seguros de escuta e acolhimento — capazes de oferecer novas possibilidades antes que o sofrimento atinja níveis extremos.

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