Redação Plenax
Estudo aponta que 73% dos municípios do estado pretendem aplicar recursos em soluções de IA para modernizar a gestão pública
Prefeituras de Mato Grosso devem ampliar investimentos em Inteligência Artificial nos próximos anos, superando a média nacional. A projeção faz parte do estudo Panorama da Gestão Pública Municipal, realizado pela Softplan por meio da plataforma 1Doc.
A pesquisa ouviu 1.290 servidores de 334 municípios em 22 estados brasileiros e analisa o nível de maturidade digital das administrações municipais, além dos desafios para modernizar processos e melhorar o atendimento à população.
Investimento em IA deve crescer em Mato Grosso
Apesar do debate cada vez mais presente sobre o uso de tecnologia na gestão pública, apenas 26% das prefeituras brasileiras já utilizam soluções de inteligência artificial. Outras 34% pretendem implementar a tecnologia em breve, enquanto 44% ainda não têm planos definidos.
Entre as cidades que já utilizam IA, as aplicações mais comuns são:
gestão documental e análise de processos — 26%
atendimento ao cidadão — 23%
comunicação institucional — 21%
Em Mato Grosso, no entanto, o interesse pela tecnologia é maior. Segundo o levantamento, 73% das prefeituras do estado pretendem investir em inteligência artificial até 2026, percentual acima da média nacional.
Entre os gestores municipais mato-grossenses:
22% já possuem investimento planejado
51% pretendem investir, mas ainda sem cronograma definido
27% ainda não têm previsão de investimento
Digitalização avança nas áreas centrais da gestão
O estudo mostra que a transformação digital nas prefeituras brasileiras começou principalmente nas áreas administrativas.
Entre os serviços mais digitalizados estão:
gestão de documentos e processos — 60%
solicitação de serviços — 60%
licitações e compras públicas — 52%
assinatura eletrônica de contratos — 51%
atendimento ao cidadão por canais digitais — 49%
Segundo o CEO da Softplan, Márcio Santana, a digitalização passou a ser um componente estratégico na administração pública.
“A digitalização deixou de ser um projeto isolado de tecnologia e passou a ser parte da estratégia da gestão pública. Onde os processos são digitais, a administração se torna mais previsível, transparente e eficiente”, afirma.
Falta de integração ainda é desafio
Mesmo com a expansão de sistemas digitais, a falta de integração entre áreas e a resistência a mudanças continuam sendo obstáculos importantes para a modernização das prefeituras.
Entre os principais problemas apontados pelos servidores estão:
falta de integração entre secretarias — 44%
resistência à mudança — 42%
falta de equipe qualificada — 38%
processos lentos — 35%
comunicação interna ineficiente — 27%
Segundo o estudo, municípios com maior nível de digitalização enfrentam menos dificuldades administrativas.
Papel ainda domina processos municipais
Apesar dos avanços tecnológicos, o uso de documentos físicos ainda é predominante nas administrações públicas.
A pesquisa aponta que:
apenas 14% das prefeituras operam de forma praticamente 100% digital
49% ainda utilizam papel em alguns setores
37% mantêm uso intenso de documentos físicos
Prefeituras que dependem mais de papel apresentam 22,4 pontos percentuais a mais de problemas relacionados à lentidão dos processos, além de dificuldades na gestão documental e na integração entre áreas.
Mais digitalização pode liberar recursos para políticas públicas
Outro ponto identificado pelo estudo é que municípios com maior maturidade digital tendem a investir menos em burocracia administrativa e direcionar mais recursos para áreas essenciais, como:
educação
saúde
obras e infraestrutura
“Quando a gestão digital funciona, ela deixa de ser custo e passa a ser alavanca. O orçamento deixa de sustentar a burocracia e passa a chegar com mais força na ponta”, avalia Márcio Santana.
Atendimento ao cidadão ainda é desafio
A melhoria do atendimento ao cidadão aparece como uma das principais prioridades das prefeituras para 2026 — mas também como uma das áreas mais difíceis de digitalizar.
Atualmente, os canais mais utilizados são:
atendimento presencial — 73%
portais digitais — 60%
telefone — 56%
WhatsApp — 50%
Segundo os servidores ouvidos na pesquisa, o maior desafio não está na quantidade de canais disponíveis, mas na integração entre eles, fator que impacta diretamente na agilidade e na experiência do cidadão.
Para especialistas, o cenário indica que a gestão pública municipal brasileira vive um momento de transição, em que tecnologias como digitalização e inteligência artificial começam a ganhar espaço, enquanto práticas analógicas ainda limitam a eficiência administrativa.
“O futuro da gestão pública não será definido apenas por novas tecnologias, mas pela capacidade de transformar processos, integrar pessoas e abandonar modelos que já não respondem às necessidades da sociedade”, conclui Santana.

