Redação Plenax
Estudo aponta que municípios do estado dão mais atenção ao serviço ao cidadão do que a média nacional, mas ainda enfrentam desafios com processos em papel e integração de sistemas
Prefeituras de Goiás estão colocando o atendimento ao cidadão entre as principais prioridades da gestão pública para 2026. O dado faz parte do levantamento Panorama da Gestão Pública Municipal, realizado pela empresa de tecnologia Softplan, por meio da plataforma 1Doc.
A pesquisa ouviu 1.290 servidores de 334 municípios em 22 estados brasileiros e revela como a digitalização tem avançado nas administrações municipais, ao mesmo tempo em que práticas tradicionais, como o uso excessivo de papel, ainda dificultam a eficiência dos serviços públicos.
Atendimento ao cidadão ganha destaque nas prefeituras
De acordo com o estudo, o atendimento ao cidadão aparece como uma das principais prioridades das gestões municipais para os próximos anos — e também como uma das áreas mais desafiadoras de digitalizar.
Entre os servidores entrevistados, a satisfação média com o atendimento público ficou em 3,72 pontos em uma escala de 1 a 5.
Apesar da expansão dos canais digitais, o atendimento presencial ainda predomina nas prefeituras brasileiras:
Atendimento presencial: 73%
Portais digitais: 60%
Telefone: 56%
WhatsApp: 50%
Segundo o levantamento, o principal problema não está na quantidade de canais disponíveis, mas na falta de integração entre eles, o que compromete a agilidade e a padronização dos serviços.
Goiás está acima da média nacional
No caso de Goiás, o atendimento ao cidadão aparece com peso ainda maior nas prioridades da gestão pública.
Enquanto 41% dos municípios brasileiros indicaram essa área como prioridade, 59% das prefeituras goianas colocam a melhoria do atendimento entre os principais focos administrativos.
No ranking de prioridades dos gestores municipais do estado aparecem:
Saúde – 89%
Educação – 81%
Atendimento ao cidadão – 59%
Digitalização e tecnologia – 44%
Obras e infraestrutura – 44%
Digitalização cresce nas áreas administrativas
O estudo também mostra que a transformação digital começou principalmente nas áreas estruturais da gestão pública.
Entre os processos mais digitalizados nas prefeituras brasileiras estão:
gestão de documentos e processos – 60%
solicitação de serviços – 60%
licitações e compras públicas – 52%
assinatura eletrônica de contratos – 51%
atendimento digital ao cidadão – 49%
Segundo o CEO da Softplan, Márcio Santana, a digitalização passou a ter papel estratégico na administração pública.
“A digitalização deixou de ser um projeto isolado de tecnologia e passou a ser um componente estratégico da gestão pública. Onde os processos são digitais, a administração se torna mais previsível, transparente e eficiente”, afirma.
Papel ainda domina a administração pública
Apesar dos avanços, o levantamento aponta que o uso de documentos físicos ainda é significativo nas prefeituras brasileiras.
Apenas 14% das administrações municipais operam de forma praticamente totalmente digital. Outras 49% utilizam papel em poucos setores, enquanto 37% ainda mantêm uso intenso de documentos físicos.
Segundo o estudo, prefeituras que dependem mais do papel enfrentam:
22,4 pontos percentuais a mais de processos lentos
58% de dificuldades na gestão documental
52% de problemas de integração entre setores
A dependência do papel é mais intensa na região Norte do país, onde apenas 6% dos municípios afirmam não ter uso excessivo de documentos físicos.
Inteligência artificial começa a chegar às prefeituras
Outro ponto analisado foi o uso de Inteligência Artificial no setor público.
Atualmente:
26% das prefeituras já utilizam IA
34% pretendem implementar em breve
44% ainda não têm planos definidos
Entre os municípios que já adotam a tecnologia, as principais aplicações são:
gestão documental e análise de processos – 26%
atendimento ao cidadão – 23%
comunicação institucional – 21%
Mais digitalização pode liberar recursos para políticas públicas
Outro achado relevante do estudo é que municípios com maior maturidade digital tendem a investir menos em burocracia administrativa e mais em políticas públicas.
Nesses casos, há aumento proporcional de investimentos em áreas como:
educação
obras e infraestrutura
saúde
“Quando a gestão digital funciona, ela deixa de ser custo e passa a ser alavanca. O orçamento deixa de sustentar a burocracia e passa a chegar com mais força na ponta”, afirma Márcio Santana.
O levantamento conclui que a gestão pública municipal brasileira vive um momento de transição: enquanto a digitalização e a inteligência artificial avançam, práticas analógicas e processos fragmentados ainda limitam a eficiência do serviço público.
“O futuro da gestão pública não será definido apenas por novas tecnologias, mas pela capacidade de transformar processos, integrar pessoas e abandonar modelos que já não respondem às necessidades da sociedade”, conclui o CEO da Softplan.

