Redação Plenax – Flavia Andrade
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, pediu que a população “tome o poder em cada município do país” caso ele sofra qualquer tipo de violência considerada ilegítima. A declaração foi feita em uma publicação na rede social X, na madrugada desta segunda-feira (5), e ocorre em meio ao aumento da tensão diplomática após ameaças de ações militares dos Estados Unidos na região.
“Tenho enorme fé no meu povo, e é por isso que lhes pedi que defendam o presidente contra qualquer ato ilegítimo de violência. A forma de me defenderem é tomar o poder em cada município do país”, escreveu Petro. Ele também afirmou que a ordem às forças de segurança não é reprimir a população, mas agir contra possíveis invasores.
A manifestação do líder colombiano veio um dia depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçar a Colômbia com uma ação militar. A declaração de Trump ocorreu após forças norte-americanas invadirem a Venezuela para capturar o ditador Nicolás Maduro e a esposa dele, acusados de ligação com o narcotráfico internacional.
“A Colômbia também está muito doente, governada por um homem doente, que gosta de produzir cocaína e vendê-la para os Estados Unidos”, disse Trump, a bordo do avião presidencial, em referência direta a Petro.
Em resposta, o presidente colombiano reforçou sua autoridade constitucional sobre as Forças Armadas e fez um alerta duro aos militares. “Qualquer comandante que preferir a bandeira dos EUA à bandeira colombiana será imediatamente destituído”, afirmou. Petro também declarou que, caso seja preso, haverá reação popular. “Se prenderem o presidente, libertarão a onça-pintada do povo”, escreveu.
Petro rejeitou as acusações feitas por Trump, afirmando não ter envolvimento com o narcotráfico. “Não sou ilegítimo, nem traficante de drogas. Meu único bem é a casa da minha família, que ainda pago com meu salário. Meus extratos bancários são públicos”, declarou.
O presidente ainda destacou ações do seu governo no combate ao tráfico de drogas, citando o que classificou como a maior apreensão de cocaína da história e o controle da região de El Plateado, conhecida como “Wall Street da Cocaína”. Segundo ele, operações militares foram realizadas com respeito ao direito humanitário.
Sobre as falas do presidente norte-americano, Petro afirmou que só responderá oficialmente quando compreender “o verdadeiro significado” das ameaças feitas por Trump.

