Redação Plenax – Flavia Andrade
Nutricionista orienta pais sobre escolhas mais saudáveis para a lancheira e os lanches das crianças durante as férias
A obesidade infantil já supera a desnutrição entre crianças e adolescentes no mundo, segundo dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). O alerta reforça a necessidade de atenção à alimentação dos pequenos, especialmente em um contexto de rotina acelerada, pouco tempo para o preparo das refeições e maior consumo de produtos ultraprocessados.
De acordo com o relatório mais recente do Unicef, 9,4% das crianças e adolescentes entre 5 e 19 anos estão acima do peso, enquanto 9,2% apresentam baixo peso. Em 2000, o cenário era inverso: 13% das crianças estavam desnutridas e apenas 3% tinham excesso de peso. Apesar de opostos, os dois problemas têm a mesma origem: a má alimentação.
A nutricionista e encarregada regional de Nutrição do Grupo Pereira — responsável pelas redes Fort Atacadista e Comper —, Thaisa Braz, explica que a obesidade infantil está associada a dietas hipercalóricas e pobres em nutrientes. “O consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, ricos em açúcar, gorduras e aditivos, contribui para o desenvolvimento de doenças como diabetes, hipertensão e problemas hepáticos ainda na infância”, alerta.
Alimentação saudável começa em casa
Segundo a nutricionista, hábitos alimentares saudáveis são construídos, principalmente, pelo exemplo. “A criança aprende observando. Quando a família adota uma alimentação equilibrada, esse comportamento tende a acompanhá-la por toda a vida”, destaca.
A base da alimentação infantil segue os mesmos princípios da dos adultos, com a diferença das quantidades, que variam conforme a idade. Carboidratos, proteínas, gorduras, vitaminas e minerais são essenciais para o crescimento, o desenvolvimento cerebral e a saúde óssea.
Para tornar os lanches mais nutritivos, Thaisa sugere substituições simples no dia a dia, como trocar a farinha branca pela integral ou pela aveia em bolos e tortas, além de incluir chips de batata-doce, palitos de legumes e frutas frescas. “Para hidratação, água, água de coco ou sucos naturais são as melhores opções”, orienta.
Lanches durante as férias e em casa
Durante as férias escolares, quando as crianças passam mais tempo em casa, a recomendação é manter uma rotina alimentar equilibrada, priorizando alimentos naturais e evitando guloseimas entre as refeições. “Uma alimentação saudável contribui para o aprendizado, melhora a concentração e fortalece o sistema imunológico”, afirma a nutricionista.
As proteínas vegetais, presentes em alimentos como soja, quinoa e brócolis, e as de origem animal — encontradas em carnes, ovos e laticínios — são fundamentais para o desenvolvimento. Um omelete no lanche da tarde, por exemplo, é uma opção prática e nutritiva. Cortes magros de carne, frango sem pele, peixes como salmão, queijos brancos e iogurtes também são indicados.
Para crianças que resistem ao consumo de vegetais, a dica é incorporá-los às preparações. “Abobrinha na massa da panqueca, legumes ralados na carne moída ou em hambúrgueres caseiros são estratégias eficazes”, sugere.
O que levar para o lanche escolar
Para a lancheira, o ideal é preparar os alimentos no mesmo dia da aula, garantindo frescor e boa aparência. Frutas que resistem melhor ao calor, sanduíches simples com queijo, presunto de peru ou geleias sem açúcar, além de iogurtes e leite, são boas alternativas. Frutas secas, castanhas, nozes e amêndoas também podem compor o lanche, por serem fontes de gorduras saudáveis.
Quando a opção for por bolos ou biscoitos, a recomendação é priorizar versões caseiras, sem recheios ou coberturas.
Alimentos que devem ser evitados
Frituras, pizza, cachorro-quente e hambúrgueres devem ser evitados, tanto em casa quanto na escola, por serem ricos em gorduras e de difícil digestão. Refrigerantes, biscoitos recheados e bolos com cobertura, por sua vez, contêm excesso de açúcar, provocam picos de fome e podem prejudicar a concentração e o desempenho escolar.
Atenção à hidratação
A hidratação também merece cuidado especial. Enquanto o corpo de um adulto é composto por cerca de 65% de água, nas crianças esse índice chega a 80%. “Por isso, é fundamental incentivar o consumo frequente de líquidos. A preferência deve ser sempre por água e sucos naturais, preparados com frutas frescas”, conclui Thaisa Braz.
O cenário apontado pelo Unicef reforça que pequenas mudanças na rotina alimentar podem fazer grande diferença na saúde das crianças, hoje e no futuro.

