Redação Plenax
Flora não pode voltar à natureza e agora integra programa de bem-estar e educação ambiental
Um novo capítulo de reabilitação animal começou nesta semana em Campo Grande. A pequena Flora, fêmea de cateto (Pecari tajacu), passou a integrar o plantel do Bioparque Pantanal após ser considerada inapta para retorno à natureza.
O animal foi entregue voluntariamente ao CRAS e, após avaliação técnica, a equipe identificou que o maior aquário de água doce do mundo reunia as condições ideais para acolhê-la.
Por que Flora não pode ser reintroduzida?
Resgatada ainda filhote, Flora teve contato humano frequente, o que comprometeu o desenvolvimento de comportamentos essenciais para sobrevivência no habitat natural. A ausência de instintos plenamente preservados inviabiliza a reintrodução segura na fauna silvestre.
Segundo a coordenadora do CRAS, Aline Duarte, a destinação de animais nessa condição exige análise criteriosa.
“Vimos que o Bioparque Pantanal possui toda a estrutura necessária para receber a Flora e dar continuidade ao acompanhamento dela.”
Recinto preparado com critérios técnicos
O novo espaço foi estruturado conforme normas do Ibama, garantindo condições compatíveis com a espécie.
O recinto conta com:
Área ampla com solo natural (terra e gramado)
Piscina de lama — essencial para regulação térmica
Pontos estratégicos de alimentação e hidratação
Área de cambiamento para manejo seguro
Localização no jardim externo, permitindo observação educativa pelos visitantes
Protocolo de bem-estar e adaptação
Desde a chegada, Flora passou a integrar o protocolo de manejo e bem-estar animal do Bioparque. A adaptação ocorre de forma gradual, com monitoramento veterinário e treinamentos de condicionamento que facilitam exames e cuidados futuros.
Antes da transferência, profissionais do Bioparque realizaram visita técnica ao CRAS, incluindo:
Levantamento clínico
Pesagem
Desverminação
Coleta de exames laboratoriais
A bióloga-chefe do complexo, Carla Kovalski, destacou que a resposta inicial foi positiva.
“A chegada dela superou nossas expectativas. Flora explorou o recinto e apresentou boa interação com a equipe. Nesta primeira semana, esperamos que ela se sinta cada vez mais à vontade.”
Educação ambiental como missão
Para a diretora-geral do Bioparque, Maria Fernanda Balestieri, o acolhimento reforça o papel institucional na conscientização da sociedade.
“A história da Flora será mais uma oportunidade de sensibilizar os visitantes sobre os impactos que impedem muitos animais de retornarem ao habitat natural.”
Flora passa a integrar o trabalho educativo já desenvolvido com outros animais acolhidos, como a sucuri Gaby, a jiboia Rachel Carson, a píton Capitu e a lobinha Delinha.
Segunda chance que vira aprendizado coletivo
A chegada da nova moradora amplia o debate sobre guarda irregular de animais silvestres e os impactos do contato humano precoce na fauna brasileira.
Mais do que um novo lar, Flora representa um alerta e, ao mesmo tempo, um exemplo de como políticas públicas, reabilitação técnica e educação ambiental podem transformar histórias que, de outra forma, teriam um desfecho incerto.

