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Nematoides e doenças de solo avançam no Cerrado e impõem manejo permanente ao algodão

Foto: Divulgação

Redação Plenax – Flavia Andrade

A produção de algodão nas regiões do Cerrado — especialmente em Mato Grosso, Bahia e parte de Mato Grosso do Sul — enfrenta uma pressão crescente de nematoides e doenças de solo. A combinação desses patógenos silenciosos tem ampliado perdas e reforçado a necessidade de estratégias contínuas de manejo.

Segundo Jakeline Pinheiro Silva, gerente regional de marketing da Biotrop, os nematoides são altamente persistentes e conseguem sobreviver no solo por anos, mesmo sem a presença da cultura. “Eles causam danos silenciosos, mas severos, ao algodoeiro”, afirma.

Entre os principais agentes que atacam a cultura estão Meloidogyne incognita (nematoide-de-galhas), Rotylenchulus reniformis (reniforme) e Pratylenchus brachyurus (nematoide-de-lesões). Eles reduzem o vigor das plantas, provocam deformações e lesões radiculares, comprometem o desenvolvimento das raízes e impactam diretamente a produtividade. A presença desses organismos também aumenta a vulnerabilidade do algodoeiro a outros patógenos, especialmente em regiões tropicais e subtropicais.

Além dos nematoides, doenças de solo permanecem como importantes ameaças. A Podridão-de-carvão (Macrophomina phaseolina) se intensifica em períodos de calor e baixa umidade. Já a Rhizoctonia solani, responsável pelo tombamento, afeta colo e raízes, reduzindo o estande e causando mortalidade de plântulas. Em determinadas condições, o mofo branco (Sclerotinia sclerotiorum) também pode atingir áreas de algodão.

Jakeline destaca três fatores que tornam o controle mais complexo: a alta sobrevivência dos patógenos no solo, o amplo número de plantas hospedeiras — que inclui soja, milho e feijão — e o caráter silencioso das infecções, que começam cedo no ciclo e só aparecem quando o dano já está consolidado.

Manejo contínuo e uso de biológicos ganham força

Para reduzir perdas, especialistas recomendam manejo preventivo e integrado. Amostragens de solo e raízes, uso de cultivares tolerantes e rotação com espécies não hospedeiras, como milheto e crotalária, são etapas essenciais para quebrar o ciclo dos nematoides.

Produtos biológicos, como Bacillus spp. e Trichoderma spp., têm ganhado protagonismo por atuarem na modulação do microbioma do solo e na proteção radicular. Em áreas de maior infestação, a combinação de químicos e biológicos pode aumentar a eficiência do controle. “Os químicos reduzem rapidamente as populações, mas têm residual limitado. Já os biológicos prolongam a proteção e mantêm o sistema radicular ativo ao longo do ciclo”, explica Jakeline.

O monitoramento é outra etapa decisiva. Pequenas galhas, lesões, ausência de radicelas e plantas com desenvolvimento desuniforme podem antecipar o diagnóstico. Tecnologias como imagens de drone e análises por NDVI ajudam a identificar reboleiras reincidentes.

Soluções destacadas pela Biotrop

A empresa oferece diferentes alternativas para manejo de solo:

Biomagno: bionematicida e biofungicida de amplo espectro formulado com três bactérias em endósporos. Atua diretamente contra os principais nematoides, além de proteger contra fungos causadores de tombamento e podridão-de-carvão.

Bioasis Power: voltado ao fortalecimento das plantas em condições de estresse hídrico e térmico. Estimula o desenvolvimento inicial e forma um biofilme que reduz perdas de água e aumenta a resiliência radicular.

Bombardeiro: biofungicida para doenças da parte aérea, com destaque para mancha-alvo. Quando aplicado cedo, também reduz o inóculo de fungos no solo, aumentando o potencial de substituição de multissítios químicos.

Para Jakeline, o caminho passa por planejamento e constância. “Nematoides e doenças de solo são desafios crescentes para a cadeia do algodão. Com diagnóstico precoce, estratégias integradas e manejo contínuo, é possível reduzir impactos e preservar a produtividade das áreas agrícolas”, conclui.

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