Redação Plenax – Flavia Andrade
A produção de provas em casos de violência contra a mulher em Mato Grosso do Sul tem passado por uma transformação: além do rigor técnico, o atendimento às vítimas vem sendo cada vez mais integrado e humanizado. A estratégia busca unir investigação qualificada com acolhimento, reduzindo a revitimização e ampliando o acesso à justiça.
No Estado, o trabalho é conduzido pela Polícia Científica de Mato Grosso do Sul, que atua desde a coleta de vestígios no local da ocorrência até a realização de exames laboratoriais e médico-legais. A estrutura atende os 79 municípios, com institutos especializados na Capital e unidades regionais no interior.
Em casos de feminicídio, agressões e violência sexual, a perícia é fundamental para transformar vestígios em prova. Marcas físicas, material biológico, registros digitais e inconsistências na cena são analisados para esclarecer a dinâmica dos fatos — inclusive em situações inicialmente classificadas como mortes a esclarecer.
Atendimento integrado reduz barreiras
Um dos principais avanços está na integração entre perícia e rede de proteção. Em Campo Grande, a unidade do Instituto de Medicina e Odontologia Legal instalada na Casa da Mulher Brasileira permite que o exame de corpo de delito seja realizado no mesmo local onde a vítima recebe acolhimento psicológico e orientação jurídica.
A iniciativa elimina a necessidade de deslocamentos entre diferentes órgãos e reduz o tempo entre a violência e a coleta de provas — fator crucial para a preservação de vestígios.
Os números refletem essa consolidação: foram 618 atendimentos em 2023, 810 em 2024 e 1.524 em 2025. Apenas em 2026, já são 385 registros.
Interior também adota modelo humanizado
No interior, ações semelhantes vêm sendo implementadas. Em Dourados, o Projeto Acalento, desenvolvido em parceria com a Universidade Federal da Grande Dourados, integra atendimento de saúde e exames periciais no mesmo fluxo.
Já em municípios como Amambai, foi implantada a chamada “sala lilás”, ambiente reservado e adaptado para o atendimento de mulheres vítimas de violência. A proposta é oferecer mais privacidade e reduzir o impacto emocional antes da realização dos exames. Outra unidade semelhante está em fase de implementação em Bataguassu.
Capacitação e acolhimento
Além da estrutura física, o modelo inclui capacitação contínua de servidores do IMOL, com foco no atendimento especializado e na condução técnica de casos sensíveis.
Especialistas destacam que o trabalho pericial vai além da elaboração de laudos. Ele envolve escuta qualificada, preparo técnico e integração com a rede de proteção — fatores que contribuem tanto para a qualidade da prova quanto para a garantia de direitos das vítimas.
Ao unir ciência e acolhimento, Mato Grosso do Sul avança em um modelo que fortalece a investigação e, ao mesmo tempo, coloca a vítima no centro do atendimento.

