Redação Plenax – Flavia Andrade
Programa prevê investimento de R$ 4,8 bilhões, criação de UTIs inteligentes em 13 estados e construção do primeiro hospital público totalmente digital do país
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, nesta quarta-feira (7/1), a criação da Rede Nacional Agora Tem Especialistas de Hospitais e Serviços Inteligentes, iniciativa que promete transformar o atendimento de alta complexidade no Sistema Único de Saúde (SUS) com o uso de inteligência artificial, telemedicina e conectividade avançada. O investimento total previsto é de R$ 4,8 bilhões.
Durante a cerimônia, realizada em Brasília, Lula destacou que o objetivo central da política pública é garantir acesso qualificado à saúde para a população mais vulnerável. “Precisamos garantir que o povo mais humilde não seja invisível. É para ele que a gente governa”, afirmou o presidente.
Como parte do anúncio, foi assinado um contrato de US$ 320 milhões — cerca de R$ 1,7 bilhão — com o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), o Banco do BRICS, para a construção do Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente (ITMI), que integrará o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). A unidade será o primeiro hospital inteligente público do SUS voltado para urgência e emergência.
Hospital inteligente será referência nacional
O ITMI contará com investimento total de R$ 1,9 bilhão, somando recursos do governo federal, do Governo de São Paulo e do financiamento internacional. Com inauguração prevista para 2029, o hospital terá 800 leitos — sendo 250 de emergência, 350 de UTI e 200 de enfermaria — além de 25 salas cirúrgicas, com capacidade para realizar cerca de 27 mil cirurgias por ano e atender aproximadamente 190 mil pacientes internados anualmente.
Segundo Lula, a iniciativa vai ampliar e qualificar os serviços do SUS. “Significa ter hospitais com ambulâncias e UTIs preparadas, usando inteligência e tecnologia para salvar vidas. O SUS mostrou sua força na pandemia e agora avança para uma nova etapa”, declarou.
Tecnologia, inovação e saúde pública
A presidenta do NDB, Dilma Rousseff, ressaltou que o projeto coloca o Brasil na vanguarda tecnológica da saúde pública. “Desenvolvimento hoje significa acesso à tecnologia. Esse projeto não é apenas um hospital, é o acesso ao que há de mais moderno no mundo”, afirmou.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que a rede marca a entrada definitiva do SUS na nova fronteira tecnológica. Segundo ele, os hospitais inteligentes utilizarão inteligência artificial para acelerar diagnósticos, permitir monitoramento remoto, ampliar atendimentos à distância e integrar equipamentos e sistemas de informação em tempo real.
Entre as inovações previstas estão agendamento automatizado por IA, triagem inteligente de pacientes, ambulâncias com tecnologia 5G, cirurgias robóticas, medicina de precisão e análise de dados hospitalares para otimização de recursos.
Rede nacional e UTIs inteligentes
A Rede Agora Tem Especialistas será estruturada em três eixos. O primeiro prevê a implantação de 14 UTIs inteligentes, interligadas digitalmente, com foco em cardiologia e neurologia. As unidades estarão distribuídas em 13 estados, incluindo Dourados (MS) e Brasília (DF), além de capitais como Manaus, Belém, Salvador, Fortaleza, Recife, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre.
Os primeiros serviços devem entrar em operação já no primeiro semestre de 2026. As UTIs terão monitoramento contínuo, apoio à decisão clínica por inteligência artificial e integração com uma central nacional de pesquisa e inovação, sob supervisão do Hospital das Clínicas da FMUSP.
Redução de filas e modernização do SUS
O segundo eixo é a implantação do hospital inteligente em São Paulo, com expectativa de reduzir em mais de cinco vezes o tempo de espera por atendimento especializado em situações de urgência e emergência. Já o terceiro eixo prevê a modernização de hospitais de excelência do SUS e a criação de novos serviços inovadores, incluindo unidades em São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.
Para o vice-presidente Geraldo Alckmin, a tecnologia chega para fortalecer os princípios do SUS. “A conectividade permite levar medicina de ponta aos lugares mais distantes do país, garantindo universalidade, equidade e atendimento humanizado”, afirmou.
Especialistas apontam mudança estrutural
A médica Ludhmila Hajjar, professora da Faculdade de Medicina da USP, avaliou que o projeto representa uma mudança estrutural no sistema de saúde brasileiro. “Não estamos falando apenas de um hospital, mas de uma nova forma de cuidar das pessoas, com mais justiça social e igualdade de acesso”, afirmou.
Segundo ela, a iniciativa reforça um dos pilares do SUS. “Todos terão direito à mesma chance de salvar a vida e evitar sequelas, independentemente de poder pagar. Essa é a verdadeira riqueza do SUS”, concluiu.

