Redação Plenax – Flavia Andrade
Movimento de conscientização alerta famílias e escolas para mudanças de comportamento, isolamento e uso excessivo de telas entre jovens
O Janeiro Branco é um movimento nacional de conscientização que chama a atenção para a importância do cuidado com a saúde mental e emocional. O tema ganha ainda mais relevância diante do crescimento dos casos de ansiedade, depressão e outros transtornos psicológicos entre crianças e adolescentes, fenômeno intensificado pelas transformações da vida moderna e pela exposição constante ao ambiente digital.
De acordo com Audrey Taguti, psicopedagoga e diretora pedagógica da Escola Internacional Brasileira (BIS), de São Paulo, família e escola desempenham um papel fundamental na identificação precoce de sinais de sofrimento emocional e no acolhimento dos jovens. “As crianças e os adolescentes costumam expressar o que estão sentindo por meio do comportamento. Por isso, é essencial que os adultos estejam atentos”, explica.
Sinais de alerta
Segundo a especialista, há três grandes grupos de sinais que podem indicar sofrimento emocional ou dificuldades psicológicas:
Mudanças bruscas de comportamento, como irritabilidade, isolamento repentino ou perda de interesse por atividades antes prazerosas;
Alterações físicas e de rotina, incluindo queda no rendimento escolar, mudanças no sono e no apetite;
Uso excessivo de tecnologia, com comportamento digital exagerado, necessidade de se esconder para acessar a internet ou apagar conversas e históricos de navegação.
“Esses sinais não devem ser ignorados. Eles costumam ser pedidos silenciosos de ajuda”, alerta Audrey.
Como falar sobre saúde mental com os filhos
A abordagem do tema deve ser feita com diálogo, escuta ativa e respeito à fase de desenvolvimento da criança ou do adolescente. A psicopedagoga destaca estratégias específicas para cada faixa etária.
Crianças (até 10 anos)
Nessa fase, o desenvolvimento é fortemente sensorial e motor, e o repertório emocional ainda está em construção. Por isso, o lúdico é a melhor forma de comunicação.
“Brincadeiras, desenhos, bonecos e histórias ajudam a criança a expressar sentimentos que ainda não consegue nomear. Os adultos devem validar essas emoções e mostrar que é seguro senti-las”, orienta.
Pré-adolescentes (11 a 13 anos)
Este é um período marcado pela busca de autonomia, maior identificação com os pares e questionamento de regras. Diante de frustrações e conflitos escolares ou sociais, os pais devem aproveitar momentos de convivência, como refeições ou passeios, para estimular conversas sobre sentimentos e desafios.
“É fundamental não minimizar o que o pré-adolescente sente. Para ele, essas emoções são muito reais”, destaca Audrey.
Adolescentes (14 a 19 anos)
A adolescência é caracterizada por intensas transformações físicas, hormonais e emocionais. Nessa fase, o acolhimento deve ser incondicional e sem julgamentos.
“Quando o adolescente se isola ou demonstra insegurança, os pais precisam validar o sentimento e perguntar de forma clara e empática como podem ajudar”, afirma a especialista. Caso os sintomas persistam e prejudiquem a rotina, a busca por apoio profissional especializado deve ser imediata.
O papel da escola
Além da família, a escola é um espaço estratégico na promoção da saúde emocional. Em parceria com os responsáveis, a instituição pode atuar na prevenção, identificação de sinais e no fortalecimento de vínculos.
Projetos de convivência, rodas de conversa, atividades artísticas e esportivas criam ambientes seguros de expressão e acolhimento. Audrey ressalta ainda que a restrição do uso de celulares em sala de aula, adotada recentemente, tem contribuído para resgatar o encontro humano, a atenção plena e o bem-estar dos alunos.
“O ambiente escolar é um espaço de aprendizado social e emocional, onde os jovens desenvolvem resiliência, aprendem a lidar com diferenças e constroem relações mais saudáveis”, conclui.
Sobre a especialista
Audrey Taguti possui 41 anos de atuação na área da Educação. É formada em Magistério e Pedagogia, com pós-graduações em Psicopedagogia e Bilinguismo, além de especialização em Alfabetização. Atua como diretora pedagógica da Escola Internacional Brasileira (BIS), em São Paulo, desde a fundação da instituição, em 2000.
Janeiro Branco: como identificar sinais e falar sobre saúde mental com crianças e adolescentes

