Redação Plenax
Especialista explica como ajustes na dieta podem ajudar no controle da Doença de Crohn e da Retocolite Ulcerativa
As doenças inflamatórias intestinais (DIIs) avançaram de forma significativa no Brasil na última década. Dados consolidados a partir de registros hospitalares do Sistema Único de Saúde (SUS) indicam aumento superior a 60% nas internações relacionadas a essas condições no período — um crescimento que reforça a necessidade de diagnóstico precoce, acompanhamento médico contínuo e estratégias complementares, como a alimentação adequada.
Entre as principais DIIs estão a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa, ambas crônicas e marcadas por períodos de crise e remissão. Embora não tenham cura definitiva, o controle adequado permite qualidade de vida e redução de complicações.
Consultada pela Josapar, a nutricionista Dra. Aline Maldonado explica que a dieta deve ser adaptada à fase da doença e à resposta individual de cada paciente.
“Durante as crises, o intestino está mais sensível. Nesse momento, priorizamos alimentos de fácil digestão e com menor teor de fibras insolúveis, o que pode ajudar a reduzir desconfortos como dor abdominal e alterações no trânsito intestinal”, orienta.
O que priorizar nas crises
Em fases agudas, preparações simples tendem a ser melhor toleradas: arroz branco, purês, legumes cozidos e proteínas magras. Esses alimentos exigem menor esforço do sistema gastrointestinal e oferecem energia de forma mais acessível.
Já nos períodos de remissão, quando os sintomas estão controlados, é possível ampliar gradualmente a variedade alimentar.
“Arrozes integrais e pigmentados preservam compostos bioativos naturais e fibras que, quando bem toleradas, contribuem para a saúde da microbiota intestinal e para o equilíbrio metabólico”, afirma a especialista. Segundo ela, o arroz integral também fornece antioxidantes, que auxiliam na redução do estresse oxidativo — processo associado ao agravamento de inflamações crônicas.
A recomendação é que a introdução de fibras ocorra de forma progressiva e sempre com orientação profissional.
Gorduras boas e hidratação
Outro ponto importante é a qualidade das gorduras consumidas. O azeite de oliva extravirgem, por exemplo, contém compostos fenólicos associados à modulação de processos inflamatórios.
“Substituir gorduras saturadas por fontes como o azeite pode ser uma estratégia interessante dentro de um padrão alimentar equilibrado”, destaca a nutricionista.
A hidratação também é fundamental, especialmente para pacientes que apresentam diarreia recorrente. A perda frequente de líquidos pode causar desidratação e desequilíbrio de eletrólitos, agravando o quadro clínico.
É preciso excluir o glúten?
A exclusão do glúten não é uma recomendação universal para todos os pacientes com doenças inflamatórias intestinais. No entanto, pessoas com sensibilidade ao trigo ou que buscam alternativas mais leves podem recorrer a opções como a farinha de arroz em preparações diversas.
Mais do que retirar grupos alimentares, o foco deve estar na redução de ultraprocessados e na priorização de ingredientes simples e naturais.
“Cada organismo responde de maneira diferente. O acompanhamento profissional é essencial para garantir adequação nutricional, controle de sintomas e manutenção da qualidade de vida”, conclui a especialista.
O avanço das internações reforça que as doenças inflamatórias intestinais deixaram de ser um tema restrito aos consultórios médicos e passaram a integrar um debate mais amplo sobre estilo de vida, prevenção e escolhas alimentares conscientes.

