Redação Plenax
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, defendeu o fim da escala de trabalho 6×1 e a redução da jornada semanal como forma de melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores brasileiros.
A declaração foi feita nesta terça-feira (17), durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, ao abordar propostas em discussão no país sobre a modernização das relações de trabalho.
“Projeto da família brasileira”
Para Boulos, a mudança no modelo de jornada impacta diretamente na convivência familiar.
“Esse projeto poderia se chamar ‘projeto da família brasileira’, porque estamos falando de dar ao trabalhador dois dias por semana para estar com seus filhos, descansar e ter lazer”, afirmou.
O ministro reforçou que o governo pretende avançar com a proposta ainda este ano, dentro das possibilidades legislativas.
Apoio popular e debate no Congresso
O tema já ganha força no cenário nacional. Segundo pesquisa do Datafolha, divulgada em março, 71% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1.
Atualmente, esse modelo prevê seis dias consecutivos de trabalho para um dia de descanso, sendo alvo de críticas por contribuir para o desgaste físico e emocional dos trabalhadores.
Produtividade e qualidade de vida
Boulos argumenta que a produtividade não depende apenas do tempo de trabalho, mas de fatores como:
Investimento em tecnologia
Educação e qualificação profissional
Condições adequadas de descanso
“Como o trabalhador vai se qualificar se não tem tempo nem para respirar?”, questionou.
Saúde mental em foco
O ministro também destacou o aumento de casos de esgotamento profissional, como a Síndrome de Burnout, apontando crescimento expressivo nos afastamentos relacionados ao trabalho.
“O trabalhador brasileiro está exausto”, afirmou.
Segundo ele, a redução da jornada pode ser uma estratégia importante para enfrentar esse cenário.
Mudança histórica na jornada
A jornada semanal no Brasil permanece em 44 horas desde a Constituição de 1988, quando houve redução em relação ao modelo anterior.
Para o ministro, os avanços tecnológicos e os ganhos de produtividade ao longo das últimas décadas justificam a revisão desse modelo.
“Por que o trabalhador ainda precisa trabalhar o mesmo tempo?”, questionou.
Próximos passos
O governo federal acompanha a tramitação das propostas no Congresso Nacional e defende a redução da jornada sem diminuição de salários, com a garantia de dois dias consecutivos de descanso.
A pauta é considerada prioritária dentro das políticas de valorização do trabalho e melhoria das condições de vida da população.

