Redação Plenax – Flavia Andrade
A Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems) assinou manifesto divulgado nesta quinta-feira (9) que manifesta preocupação com propostas em debate no Congresso Nacional sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1.
O documento é liderado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e conta com apoio de outras 26 federações estaduais, além de 95 associações setoriais e 342 sindicatos industriais.
No texto, as entidades reconhecem a legitimidade do debate, mas alertam para possíveis impactos na economia brasileira. Entre os principais pontos levantados está o aumento nos custos para empregadores. Estimativas indicam que a redução da jornada para 40 horas semanais pode elevar os gastos com trabalhadores formais em até R$ 267 bilhões por ano, o que representa um acréscimo de até 7%. No setor industrial, esse impacto pode chegar a 11%, equivalente a cerca de R$ 88 bilhões.
O manifesto também cita projeções que apontam possível queda de até 11,3% no Produto Interno Bruto (PIB), além de destacar desafios estruturais já enfrentados pelo país, como o alto custo de produção, insegurança jurídica e baixa produtividade.
Outro ponto abordado é o desempenho do Brasil em produtividade do trabalho. Segundo o documento, o crescimento médio desde 1981 foi de apenas 0,2% ao ano, colocando o país na 100ª posição entre 189 nações em ranking internacional.
As entidades defendem que o limite atual de 44 horas semanais permite maior flexibilidade para negociações entre empresas e trabalhadores, considerando particularidades de setores, regiões e sazonalidades.
O texto também chama atenção para possíveis reflexos em cadeia, como aumento da inflação, elevação de preços de produtos e serviços, impacto nas contas públicas e risco de perda de competitividade frente ao mercado internacional.
Por fim, o manifesto reforça a necessidade de que mudanças estruturais na legislação trabalhista sejam debatidas com base em estudos técnicos e diálogo amplo com a sociedade, sem influência de prazos eleitorais.
Fiems adere a manifesto contra fim da escala 6×1 e alerta para impacto econômico

