Redação Plenax
Após o hiato provocado pela pandemia, o Festival Desapegue-se está de volta ao Praça Edmundo Rego, na Zona Norte do Rio de Janeiro, consolidando o bairro como um dos principais polos de debate sobre sustentabilidade, economia circular e justiça climática na capital fluminense.
Reconhecido por lei municipal como patrimônio de interesse cultural, social e ecológico, o evento chega à sua 124ª edição ao longo de 18 anos de história. Desde sua criação, em 2008, a iniciativa já impactou mais de 360 mil pessoas, articulando ações que integram cultura, educação ambiental e mobilização comunitária.
Retorno com simbolismo e reconstrução coletiva
Idealizado por Karima Prem, o festival retorna com um significado que vai além da programação cultural. A proposta é retomar o espaço público como território de encontro, memória e construção de soluções coletivas, em diálogo com conceitos como o Sankofa — símbolo africano que propõe aprender com o passado para construir o futuro.
A nova edição foi precedida pelo projeto “Bairro Vivo”, iniciativa de escuta ativa que envolveu moradores na construção da programação. A ideia foi transformar o evento em um reflexo direto das demandas e expectativas da comunidade no cenário pós-pandemia.
Educação climática começa nas escolas
Antes da programação principal, escolas públicas do Grajaú recebem, nos dias 19 e 20 de março, atividades voltadas à educação climática e economia circular. Oficinas e ações pedagógicas abordam temas como consumo consciente, sustentabilidade urbana e o papel das comunidades na mitigação da crise ambiental.
A iniciativa dialoga com o Organização das Nações Unidas, especialmente com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 11, que trata de cidades e comunidades sustentáveis.
Praça vira espaço de troca, cultura e regeneração
No sábado, a programação inclui mutirão na horta comunitária do bairro, além de caminhadas históricas e ecológicas que reforçam o vínculo entre moradores e território.
Já no domingo, a praça se transforma em um circuito de atividades simultâneas. A tradicional feira de trocas retorna com uso de moeda social, estimulando práticas de economia solidária, enquanto a Estação de Reparos oferece consertos gratuitos de bicicletas, roupas e eletrônicos, combatendo o descarte precoce.
Na programação cultural, o público poderá participar de experiências como o “Encontro com Seres do Futuro”, inspirado no pensamento da ambientalista Joanna Macy, além da Biblioteca Viva, que propõe encontros com histórias de moradores. O encerramento fica por conta do Baile Charme de Madureira.
Sustentabilidade e inclusão como pilares
A edição segue diretrizes da norma ISO 20121:2024, voltada à gestão sustentável de eventos, com metas como certificação Lixo Zero, neutralização de carbono e eliminação de plásticos descartáveis. A praça de alimentação será totalmente vegetariana.
O evento também aposta em acessibilidade, com intérprete de Libras, audiodescrição e espaços adaptados, em parceria com a Biomob.
A proposta, segundo a organização, é integrar sustentabilidade ambiental e justiça social — conceito reforçado pelo ambientalista Chico Mendes, ao defender que não há ecologia sem inclusão.
Debate urgente em meio à crise climática
Com o Rio de Janeiro registrando sensação térmica recorde de 62,3°C em 2024, o debate sobre adaptação climática ganha urgência. O festival busca justamente conectar essas questões globais à realidade local, estimulando soluções construídas a partir do território.
Mais do que um evento pontual, o Desapegue-se se apresenta como uma tecnologia social replicável, baseada na força das comunidades e na construção coletiva de futuros sustentáveis.
Serviço
Evento: Festival Desapegue-se
Local: Praça Edmundo Rego
Horários: sábado, das 8h às 17h | domingo, das 9h às 21h
Entrada: gratuita (retirada via Sympla)
Festival Desapegue-se retoma atividades no Grajaú e transforma praça em laboratório de justiça climática

