Redação Plenax
MIND 360 promove diálogo entre governos, especialistas e indústria sobre sustentabilidade e adoção de novas tecnologias na saúde
A cidade de São Paulo recebeu no início de março a segunda edição do MIND 360, encontro que reuniu líderes da área da saúde para discutir caminhos para ampliar o acesso a tratamentos, fortalecer a sustentabilidade dos sistemas de saúde e acelerar a adoção de terapias inovadoras na América Latina.
Promovido pela Medtronic, o evento reuniu autoridades governamentais, pacientes, reguladores, representantes de sociedades médicas, gestores hospitalares, especialistas em saúde e representantes de fontes pagadoras de diferentes países da região.
A diversidade de participantes permitiu ampliar o debate sobre desafios estruturais da saúde latino-americana, como desigualdades de acesso e fragmentação dos sistemas. Ao mesmo tempo, especialistas destacaram que o cenário também abre espaço para novas formas de colaboração entre os diferentes atores do setor.
Segundo Tainá Pizzignaco, diretora sênior de treinamento e educação médica da Medtronic para a América Latina, o encontro foi criado justamente para estimular essa articulação.
“O MIND 360 foi idealizado para reunir diferentes partes do sistema de saúde em uma discussão estratégica sobre como garantir a sustentabilidade do setor e assegurar que a tecnologia e a inovação cumpram seu objetivo final: entregar o melhor desfecho para os pacientes”, afirma.
Tecnologia e educação médica em destaque
Entre os temas abordados no evento esteve o papel da tecnologia na formação e atualização de profissionais de saúde. A neurocirurgiã pediátrica Giselle Coelho apresentou experiências que utilizam simulação mista no planejamento cirúrgico.
Durante a apresentação, a especialista relatou um caso de correção de encefalocele frontal em que foram utilizadas ferramentas virtuais, impressão 3D e modelos híbridos para planejamento pré-operatório. Segundo ela, o método contribuiu para maior precisão na cirurgia e redução do tempo de procedimento e de anestesia.
A médica também destacou iniciativas como o projeto Neurokids, que utiliza tecnologias imersivas e criação de avatares para capacitar neurocirurgiões pediátricos em regiões remotas, ampliando o acesso à formação especializada fora dos grandes centros.
Regulação como ferramenta para ampliar acesso
Outro ponto discutido foi a necessidade de aperfeiçoar os mecanismos regulatórios para facilitar a incorporação de novas tecnologias na saúde. O especialista em políticas públicas Esteban Lifschitz defendeu a adoção do conceito de “regulação inteligente”.
De acordo com o médico, esse modelo combina regras claras com avaliação criteriosa das tecnologias, definição de preços baseada em valor e garantia de acesso oportuno aos pacientes.
Ele também destacou a importância de estruturas de avaliação de tecnologias em saúde para apoiar decisões sobre financiamento e incorporação de novos tratamentos nos sistemas públicos e privados.
Colaboração como eixo central
Ao longo dos painéis, um ponto de consenso entre os participantes foi que a inovação tecnológica, por si só, não é suficiente para transformar os sistemas de saúde.
Especialistas destacaram que avanços reais dependem da colaboração entre indústria, hospitais, governos e profissionais da área, com compartilhamento de dados, integração de soluções e desenvolvimento de políticas que priorizem o cuidado centrado no paciente.
Com essa proposta, o MIND 360 reforçou a importância do diálogo multissetorial para enfrentar os desafios da saúde na América Latina e ampliar o acesso da população a tratamentos e tecnologias médicas de ponta.

