Redação Plenax – Flavia Andrade
O desejo de ver o próprio nome na capa de um livro atravessa gerações – e os dados da primeira edição do Prêmio Carioca de Contos comprovam isso. O concurso reuniu inscritos de 18 a mais de 90 anos, revelando um retrato diverso e potente da escrita produzida no Rio de Janeiro.
Idealizado pela escritora e produtora cultural Bárbara Cortesi, o prêmio nasceu com o objetivo de valorizar talentos locais e ampliar as vozes da literatura carioca. Entre os participantes, chamam atenção autores na faixa dos 70 anos (8,7%) e dos 80 anos (2,5%), reforçando a escrita como espaço de memória, expressão e continuidade criativa ao longo da vida.
A maior concentração de inscritos está entre pessoas de 40 anos (21,7%), 60 anos (19,2%) e 30 anos (18,6%), formando um mosaico intergeracional raro em concursos literários.
“É emocionante ver essa variedade de idades. A literatura carioca não tem uma só cara. São vozes de todas as fases da vida, escrevendo sobre o que vivem, observam e imaginam”, afirma Bárbara Cortesi.
Diversidade de profissões
O perfil dos inscritos também revela um amplo espectro social: há participantes que atuam como gari, médico, professor, jornalista, arquiteto, advogado e engenheiro, além de pós-graduados que desejam migrar da escrita acadêmica para a literatura, ampliando ainda mais a pluralidade do prêmio.
Um retrato dos bairros do Rio
A Zona Norte concentrou 37% das inscrições, mas o mapeamento por bairros mostrou um cenário variado. A Tijuca lidera o ranking, seguida por Botafogo, Copacabana e Laranjeiras (Zona Sul), além da Barra da Tijuca. Participaram moradores tanto de áreas valorizadas quanto de comunidades, o que evidencia a democratização do acesso à produção literária.
Entre as ruas com maior número de inscritos, a Rua das Laranjeiras ficou em primeiro lugar, seguida da Rua Uruguai, que conecta bairros da Zona Norte. Avenida Dom Helder Câmara, Praça Barão de Drumond e a inesperada Rua do Russel, na Glória, completam o ranking, sinalizando novos polos de efervescência cultural.
O “mapa astral” dos escritores
De forma lúdica, a organização também analisou os signos dos participantes. Gêmeos liderou com 13%, seguido por Câncer (10,8%), Capricórnio (9,3%), Aquário (9,3%), Touro (9%) e Libra (9%). Sagitário apareceu com menor participação (4,6%).
“Se a literatura carioca tivesse um mapa astral, certamente seria geminiana”, brinca Bárbara.
Júri e próximos passos
O júri reúne nomes como Jeferson Tenório, Mariana Salomão Carrara, Marcelo Moutinho, Cláudia Chigres, Juliana Leite e Leonardo Tonus.
A iniciativa ganha ainda mais relevância em 2025, quando o Rio de Janeiro foi reconhecido pela UNESCO como Capital Mundial do Livro. Os 20 autores selecionados participarão de uma jornada formativa online, com cursos, mentorias e uma aula magna de marketing editorial. O livro coletivo com os contos será lançado em abril de 2026.
Mais informações estão disponíveis no Instagram @premiocariocadecontos e no site oficial do prêmio.

